27 de março de 2009

hoje eu sei, hoje eu só

E de repente imagina a morte, e sente que não há tanto tempo assim. É o silêncio destruindo as palavras... É tudo ficando vago, é tudo em vão. Um vão imenso, um não saber extremo. Aflige, amedronta. E permanece.

20 de março de 2009

é como um verso popular ...


Cansei de ser humana, cansei do ser humano. Estou farta, exausta das mesmas histórias, dos mesmos fins, dos mesmos meios. Metades, nunca inteiros, nunca o todo. Não me contento com parcelas, não concordo que fracionem sentimentos. Ou é total ou nunca existiu. Não existe parcialidade de amor nem de ódio. A dicotomia prevalece, sempre. E a alternância entre eles também. A racionalidade é escassa. Sem ela nos tornamos tolos, ferimos os outros, tentamos em vão alterar fatos, reprisar o mesmo filme infinitas vezes. A maior frustração é saber que não temos poder algum sobre o tempo, sobre a memória, sobre o que foi e o que jamais será. O filme não nos pertence, somos meros coadjuvantes. Lutamos como cegos, amamos na escuridão. Somos sugados por um buraco negro que vai carregando tudo de real e todo o restante de racionalidade. E como um flash, repentinamente tudo se torna claro, vemos que nossas vidas estão perdidas e nossos rumos completamente alterados. É tarde demais. A razão volta com toda a força do que é verdade, e nos encobre da mais pura e cruel serenidade. Machuca, corrói, e corrompe. Ser humano já não é garantia de salvaguarda, é risco. Estar predisposto a riscos faz de nós, humanos, jogadores em potencial. Como se a vida fosse uma grande partida e estivéssemos lutando pela vitória, pela permanência... Mas ela nunca vem - ou somos derrotados precocemente ou há apenas um empate. A vitória em toda a sua plenitude é utópica, é ilusória e uma projeção irreal. Confesso: eu odeio perder. Ainda que o abandone e prometa não tentar novamente, quero oponentes distintos, quero recomeçar, apenas me recuso a desistir. E eu nunca desisti... A derrota se torna passada, e minha vontade, presente.

8 de março de 2009

algumas variações sobre um tema qualquer

Há um mundo repleto e dominado por teorias, manuais e teses variadas vezes incontestáveis racionalmente. Tudo explicado pelo excesso de exercícios mentais e sua constatação em palavras. A explicação da atitude do ser humano, ali, integralmente decifrada - e por que não codificada apenas aos capazes de compreendê-la - e exposta a quem anseie por respostas diretas e objetivas. Deixar o lado instintivo - e talvez por isso irracional -dentro de uma cápsula invisível hermeticamente encerrada e basear suas atitudes por meio de aforismos dignos de razão, raciocínio lógico e completamente libertos de subjetividade. Pode soar radical ou extremista, mas talvez encontrar respostas às perguntas as quais nunca imaginei existirem faz desse cientificismo todo um excelente caminho. As coisas se tornam mais simplórias, as crises existenciais ínfimas e a dúvida logo é mutacionada à exclamação. Confesso que sentirei falta das reticências e da interrogação - e é óbvio que não as deixarei em sua totalidade - mas começo a me sentir melhor assim, mais livre, embora presa a uma hipótese desenvolvida por um também ser humano. Jamais seremos livres de sentimento, jamais imparciais. A melhor forma de constatação do que será melhor - ou menos perturbador - é a própria vivência. Um dia eu volto para contar o caminho escolhido, ou talvez me perca em um deles e acabe esquecendo de relatar. A vida pode até tentar ser explicada, jamais totalmente compreendida. Nunca desista de questionar. Nunca.