24 de maio de 2009

Quem vai pintar as canções que desenho em mim?

Eu preciso falar de amor. E preciso mais ainda falar do fim do que começa tarde demais. Tenho a sutil impressão de que esse sentimento de necessidade só aparece quando não deveria haver mais nada. Quando parece que chegamos ao ponto final, vem ele alterando todo o roteiro, criando infindáveis reticências. É como se tornasse a morte das relações mais difícil. Antes era epílogo, agora é incerteza. E convenhamos: a incerteza gera medo que silencia- e permanece. A presença, antes simples acaso, agora aflige. A ausência que não sentida, agora é digna de um aperto na alma seguido de lágrimas ácidas. Gotas carregadas de raiva e de incompreensão. É a saudade chegando de forma arrebatadora. São sentimentos unidos e contrapostos a cada instante. E toda essa contradição destruindo qualquer resquício de racionalidade e bom senso. Quero mais atitudes lógicas e menos devaneios. Eu só pedi um tempo da solidão e o que ganhei foi mais tempo só. Às vezes me sinto uma peça que não se encaixa em lugar nenhum. Um quebra-cabeças sem solução. E que fica ali num canto. Jogado em um qualquer lugar com as peças se perdendo pelo tempo. Sinto que sou uma gravura em branco e preto, esmaecendo - uma imagem que simplesmente desaparece, uma imagem sem razão de existir. Não quero ser algo assim, mas eu juro, não encontro um jeito de ser. Parece que ainda não achei a maneira correta de conjugar o verbo. Eu estou, nunca pude ser. Estar cansa, estar acaba. E isso tudo por causa do amor. Aquele indigente que me acompanha há anos, que não traz paz, mas impede minhas guerras. Aquele que adia eternamente o fim das lembranças. Aquele amor que jamais termina...

15 de maio de 2009

Labirinto


Uma pausa para mais um devaneio. Um dia desses estava eu lendo um texto sobre hipermidia que parecia mais um belo texto de filosofia. Divagava sobre o labirinto e as várias formas de percorrê-lo. Havia o fio de Ariadne em que a pessoa percorria os caminhos marcando sua passagem com um novelo de lã, algo como João e Maria... Mas apesar de prático e infalível, ele impede com que se percorra o mesmo caminho mais de uma vez. É como conhecer um novo mundo e dar adeus cada vez que encontra uma barreira impedindo a passagem. É uma vida passando e não deixando nada, é um fio de morte se conectando ao fio da vida.
A dança dos gêranos me encantou. Homens e mulheres de mãos dadas, alternados e em fila - um guia em cada ponta permitindo a todos percorrerem qualquer sentido. Ao deparar-se com uma encruzilhada o grupo pode percorrer simultaneamente as duas alternativas. Caso uma delas não tenha saída, o guia grita e avisa ao outro e lá vai o grupo em busca de outra bifurcação.

É maravilhosa a idéia de um labirinto-vida se o compararmos ao nosso cérebro e à maneira como nascem e morrem nossos pensamentos. Eles vêm, voltam, somam, esmaecem... Passamos inúmeras vezes pelo mesmo lugar e paramos quando não há respostas. Ficamos estáticos em uma encruzilhada e temos medo de escolher o caminho. Ter opções pode ser mais cruel que simplesmente seguir uma linearidade eterna. Entre o óbvio e a poesia, geralmente ficamos com o vulgar, o que é banal... Há a dificuldade em aproveitar o mesmo percurso como se fosse sempre a primeira vez. Queremos o novo, repudiamos o que já foi visto e experimentado. Por medo - ou quem sabe, por preguiça - optamos pelo óbvio e perdemos a beleza que havia em cada esquina por qual dançamos, nos segundos que consumimos. Deixamos escapar por entre nossos dedos a vida.
Há infinitos fatos paralelos e simultâneos levando a um mesmo fim. Precisamos escolher o melhor roteiro durante todo o filme, apenas. Se apenas fosse fácil...

14 de maio de 2009

listas...

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

..

Músicas que merecem o meu respeito.

2 de maio de 2009

Já passou, já passou - quem sabe outro dia..


Quero falar sobre pessoas que de alguma forma marcaram a minha vida para sempre. Pessoas que mudaram minhas madrugadas, que modificaram meu modo de enxergar os outros, a forma como eu sentia, que consumiram meus segundos. E que depois partiram. Partiram sem me levar consigo. Partiram porque simplesmente estava na hora de ir embora, de abandonar o que é passado, estava na hora de me deixarem. Elas foram, não sei pra onde, não sei porquê. Por algum motivo necessitaram levar um pedaço de mim junto e deixar um pedacinho delas por aí. Encontrei algumas dessas partes pelo chão, senti e ainda sinto alguns resquícios de alma perto de mim. Eu deveria ficar feliz por tê-las comigo em lembranças, por ter memórias que ainda não se apagaram e que me fazem esboçar aquele sorriso bobo - como Renato Russo diria - parecido com soluço. Mas eu não fico feliz. Eu choro, lamento por não ter mais. Lamento por ser apenas passado. Ainda não domino a arte de aceitar o que acaba, o que se vai. Fico realmente em uma nostalgia eterna e dolorosa. Às vezes preferia não ter. Sei que é cruel me desfazer de lembranças e sentimentos só por egoísmo, só pra não sofrer pelo que não existe mais - ou pelo menos não como existia. No entanto, tenho esse direito. Posso sim arrancar algumas páginas e esquecer. O fato está em não ter coragem. Ainda prefiro sofrer a deixar o amor sucumbir, esvair-se no ar. Eu tenho saudade, eu tenho vontade de você de novo. Eu sei que jamais terei novamente. Em verdade, eu nunca o tive. Você está de um lado, eu de outro.. E nossos corações? Partiram... Ao meio.