24 de dezembro de 2009

Natal


"Aquele homem que não era sequer perfeito e por isso mesmo belo, porque a amava e ela a ele, e isso era para sempre apesar do fugaz. Passaram-se meses, ela não o esquecia. "

E tem gente tentando comprar felicidade, só porque é Natal...

20 de dezembro de 2009

Ela é frágil o tempo todo, só tenta não transparecer. As máscaras de supermulher ainda vendem bastante por aí...

18 de dezembro de 2009

You can find me, if you ever want again

You can't build a house of leaves
And live like it's an evergreen
It's just a season thing
It's just this thing that seasons do

And that's the way this wheel keeps working now
That's the way this wheel keeps working now
And you won't be the first
No you won't be the first
To love me

http://www.youtube.com/watch?v=eBd2_baNwMw

14 de dezembro de 2009

Sobre qualquer coisa, sobre tudo...


É bem verdade que nunca aprendi o que era certo e errado e que minha impulsividade abala qualquer tentativa de aproximação maior que um simples "até logo". Entendo que sou difícil de compreender e que às vezes faço tudo o que não queria e sinto um prazer imenso por isso. Sim, sou uma pessoa que não abre mão de certos valores por nada nesse mundo, mas que comete crimes muito piores. Eu realmente nunca entendi de onde vem tanta doçura e estupidez. Devo ser duas pessoas no mesmo corpo, o sim e o não, o pra sempre e o nunca mais. Desse jeito eu mantenho ao meu lado poucos e bons seres humanos. Eles me bastam, e acho que de alguma maneira também sou o suficiente a eles. Será por que de mim não se pode esperar nada? Ou por que se espera que eu seja capaz de tudo? Aí vem o passado que sempre se apresenta, dá o ar de sua graça. Vem assim, de repente, carregado por uma brisa, ou arrebatador, unido a maior tempestade. O que importa aqui é que ele sempre volta, e eu faço questão que seja assim. Pareço adorar fantasmas. Gosto de sustos e do que não posso mais estragar. É que já passou e mesmo com essa minha capacidade de arruinar tudo, sobre o que já foi eu só posso guardar lembranças e contar histórias. Devo ser uma daquelas pessoas que sentem prazer na dor, na perda. Aqueles estranhos que conseguem amar e odiar a cada 23 segundos, que dizem estar tudo acabado, mas no fundo, sabem que apenas começou. Não sei por que escrevo... Deve ser porque estou vazia, ou cheia demais. Talvez seja o amor tão grande que não cabe mais em mim. Talvez seja só tristeza e decepção mesmo. Não tenho porquês, geralmente o que faço não faz sentido. Eu simplesmente vou apertando os botões e escolhendo os caminhos conforme o que sou naquele instante. Mudo. Mutaciono e me transformo sempre, mas no fim, fica tudo igual. Eu fico aqui, você lá. Eu fico sozinha e você se completa com minha ausência. Devo ser daqueles vinhos muito fortes que precisam ser consumidos com moderação... O problema é que nunca fui conhecida pelo equilíbrio. Acabamos embriagados de nós mesmos. Aí vem a ressaca, a repulsa, a abstinência. Às vezes, o vício. E do vício, o fim.

12 de dezembro de 2009

Simples como um café das 6


Vontade de ficar aqui, para o resto da vida, até que a morte me separe. É engraçado como meu quarto continua sendo a melhor festa, o melhor sonho e meu maior pesadelo.. Eu sinto asco só de imaginar toda aquela gente, interpretando, com sorrisos falsos e quase petrificados, tentando de qualquer maneira demonstrar uma felicidade imensurável e inexistente. Parece haver tanta gente feliz e satisfeita com a vida que leva. Mas eu não acredito e nem pretendo aceitar. Sorrir com a alma sendo corroída dói mais que chorar até ficar vazio. Vazio de tristeza, vazio de felicidade. Repleto de mágoas e decepções. E o mundo vai girando, e as pessoas continuam mentindo. Incrivelmente acham que isso faz sentido. Pensar que fingir sorrir é melhor que sentir sofrer só me deixa mais desacreditada da pureza e inteligência do ser humano. A questão não é se entregar de corpo e alma, atirar-se do precipício. É muito mais simples e menos doloroso que isso. Sabe aquele verbo conjugado toda vez que você abre o olho e respira? Viver! Viva. É tão complicado? Qual o sentido de jogar, inventar, manipular, ou qualquer "ar" que não seja digno de ser encenado? Não nessa situação, não quando há vidas que dependem e giram em torno de si. Mas quem se importa, né?! Até que o sentido gramatical de verbo passa de palavra variável que exprime ação, estado, qualidade ou existência, para realidade. E dói. Entra na sua vida como um sonho e a torna o pior pesadelo. Então você grita, ninguém ouve. Você chora? Sofre? Ninguém sente... Só sente muito. Bingo! Finalmente você pára pra pensar em todas as palavras ali em cima e percebe que poetas são verdadeiros aproveitadores e vítimas da vida. E a vida a qual me refiro é a que mantém aqueles mesmos seres capazes de fingir sorrisos de plástico, vivos. E todo esse teatro jamais morrerá. É dissipado como um verme; E corrói, e machuca, e destrói, e mata.

11 de dezembro de 2009

A tristeza permitida

"Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?
Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.
Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.
A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.
Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.
“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos."

Martha Medeiros

É igual ao que já era...

"Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto.

O problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns itens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema, nem que seja pra assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos seus amigos. E precisa ter um objetivo na vida. Bom humor, sim, bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de Fórmula 1 ou uma capa da Playboy. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível.

Aí a vida bate à sua porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria. Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar adiante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus.

E agora está você aí, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada um amor idealizado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego. Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia solicitado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que não lhe pertence. Aquele amor em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe pra você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor que começou por telefone, o amor que começou pela internet, que esbarrou em você no elevador, o amor que era pra não vingar e virou compromisso, olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se experimenta em loja – ah, este me serviu direitinho!

Aquele amor corretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém que despreza amores corretos, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Agradeça e aproveite o que lhe foi entregue por sorteio."

Devaneios, devaneios...


E lá estava ela. Mais uma vez presa ao passado, cansada do presente, temendo o futuro. A mesma história se repetindo como há três anos... Sensível demais para o mundo, apegada à solidão, querendo estar cada vez mais sozinha, cada vez mais sem ninguém. Tentando consertar tudo e insistindo mais uma vez nos velhos erros, nas gastas, repetidas e exaustas palavras. É egoísmo demais, é se importar demais, é demais pra ela. Peças que não se encaixam, o novelo de lã que desenrola até virar nó, daqueles bem apertados que ninguém consegue desatar se não cortar pela metade. Chegou ao ponto de precisar talhar o fio, de machucar-se e aos outros para seguir em frente. E como seguir em frente se ela morre de medo do que vem? Do que não sabe? Do que não pode controlar? Como jogar se ela já esqueceu as regras do jogo? E se já o descartou e o embaralhou tantas vezes que esqueceu as cartas? Ela perdeu a si mesma. Ela se perdeu, e junto com a perda, a essência se foi, a vida foi sendo. Ela? Ela também partiu. Ao meio.

8 de dezembro de 2009

CFA

" Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos… Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina. Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura."

1 de dezembro de 2009

7

"Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!"