27 de janeiro de 2010

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Essas últimas semanas têm deixado um gosto de “eu quero viver tudo isso de novo” tão grande que eu ainda não tive tempo de explanar. Tão pouco tempo e tantas teorias sobre o tudo, o nada, sobre mim e sobre vocês. Talvez aquela cena da videolocadora deixe tudo mais claro, ou embaralhe e confunda as coisas mais ainda. Deixa eu explicar: desde pequena tenho um sonho bobo de ser dona de uma dessas lojas que vendem fantasia, pesadelos, que emprestam um pouco de esperança e do que não é real a quem estiver disposto a pagar por isso. O sonho é ter acesso a tudo quando bem entender, então eu não preciso ser necessariamente a proprietária. Ficaria feliz se alguém próximo tivesse essa magnífica ideia. Consigo imaginar o nome, e talvez, esse fosse o maior – e por que não o único – pagamento que eu poderia oferecer. Há algo mais mágico que poder assistir ao que não é real no sofá da sala, na cama do quarto, em um hall de um hotel qualquer ou naqueles ônibus em que o motorista sente pena dos passageiros pelas horas de tédio que terão pela frente e resolve ligar o DVD com algum filme sempre inesperado, e nas minhas poucas experiências, sempre ao estilo “Sessão da tarde”? Mas voltando a situação da videolocadora, a cada filme que pego em minha mão ou avisto ali na prateleira, monto um outro filme, esse de memórias e somente meu. Um filme completamente real do que já foi. Esse filme eu assisti com aquela amiga que não vejo há uns seis meses na época em que estava com mononucleose infecciosa aguda; hummmm, aquele outro acho que vi com meus pais em um dia de chuva, em casa mesmo. Ahhhh esse filme... Esse aí vai me lembrar eternamente aquele cara que eu nunca mais vi, mas que foi o único homem que amei na vida. Lembra do filme? Era o seu preferido, agora você o odeia. Sempre acontece... Esse filme me fez chorar, já o vi umas três ou nove vezes e acabo da mesma maneira: com os olhos encharcados de lágrimas. Esse aqui a mãe alugou umas cinco vezes e sempre dizia que não o tinha assistido. Aquele ali alguém me disse que era muito bom, não lembro quem, mas recordo que sempre teve bom gosto pra filmes. Olha aquele ali, embaixo do outro, daquele ali eu jamais esquecerei. Foi quando completei dezesseis anos e fiz toda a família ver comigo. Sempre gostei de filmes e mais ainda de ir ao cinema, assistir à pré-estreia, fingir que eu sou a primeira pessoa do mundo a ver aquilo ali. Mas se há algo que me dá mais prazer que isso é bisbilhotar, ler sinopses, fazer aqueles filmes mentais do que é passado mas que se torna presente no momento em que se lê o título de um filme. Antes era VHS, tinha de escolher dublado ou legendado, nada de trocar opções no controle... A evolução trouxe o DVD, mais qualidade, mais duração, mas eu duvido que haja um material pra guardar lembranças mais forte que a nossa mente. E desacredito em uma legenda tão fiel ao filme como as que a gente inventa quando lembra do passado. Todo ser humano é o melhor cineasta do mundo, só não sabe. Ou esquece.

http://www.youtube.com/watch?v=7bJks1r14yg

Um comentário:

  1. é, eu também sou a melhor cineasta do mundo...
    mas, pra mim, o melhor (e ao mesmo tempo pior) filme do mundo, é aquele cheio dos "melhores momentos" que voce passou com determinada pessoa...
    esse tipo de filme sempre vem na cabeça quando você tá lá bem distraída ouvindo sua playlist, e de repente, não mais que de repente, começa a tocar a musica que é AQUELA musica. Que faz você lembrar da pessoa, a música que fazia essa pessoa tao especial lembrar de você também, a música que faz você ter vontade de chorar, de sumir, de dar o stop, ou passar pra próxima... e ao mesmo tempo... ao mesmo tempo pedir pra ela nao acabar nunca mais.
    Pois é, e é sempre nessa hora que eu penso: por que é que eu não posso voltar pra cena anterior? A vida é filme, mas é um filme sem controle...

    :*

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