24 de fevereiro de 2010

Esoterriscos

Hoje me peguei pensando - e realmente pensando muito - sobre o que meu horóscopo dizia. Na verdade, horóscopos, porque eu confesso que sou viciada e olho quatro deles, no mínimo. Fica aí uma coisa que não consigo entender: como pode o universo conspirar para que aconteçam coisas parecidas às pessoas só porque são do signo de Gêmeos? Acreditar em Astrologia é a mesma coisa que tentar entender por que o microondas esquenta tão rápido, o que diabos é ressonância, e como assim essa coisa aí tem moléculas que se mexem? A gente não vê, mas precisa acreditar em algo. Eu me sinto patética por esperar a meia-noite só pra ler aquelas poucas linhas escritas por algum entendido no assunto (como eu posso acreditar em uma pessoa aleatória qualquer?) e me sentir completa. A raiva que sinto quando os servidores não atualizam os sites até às duas da manhã é indescritível. Agora vejamos: como eu, uma pessoa que pensa, acredita nessas coisas? E pior: aceita. É como se o que está escrito acontecesse porque eu fiz força para que assim fosse. Mas se tem algo mais divertido do que olhar o meu próprio horóscopo é olhar o dos outros. Tem coisa melhor do que acreditar que sabe como aquele cara vai agir amanhã, e depois, e depois? Acontece que tem. A melhor coisa ainda é não saber. A dúvida, a incerteza. Fico eu perdida entre astros e fatos, o que escrevem que pode acontecer e o que eu quero que se torne real. No fim, sai tudo diferente do planejado. Sabe por quê? Porque vida não se planeja, amor não se prevê. Porque a graça está em ter esse ponto de interrogação enorme em cima da própria cabeça, esse vazio e aperto no coração, os pontos de interrogação maiores ainda vagando ao redor dos seres humanos que passam por nós, que ficam em nós, que se deixam por aí, que se partem. O melhor da vida é sonhar. E eu tenho esquecido o que é isso. Simplesmente desaprendi como divagar sobre o que quero, sobre o que eu nem quero tanto mas quero e mereço experimentar, divagar só por divagar... E não há justificativa pra isso, porque quem não sonha vive de pesadelos, ou vive de nada. Eu esqueci que a melhor coisa que esse mundo pode oferecer tá dentro da gente: é amor. Amor de todas as formas, por tudo. E eu quero amar muito, amar muitos, amar pouco também. Eu ainda quero acreditar. Eu ainda quero sonhar em ter você e depois em te perder e te ter de novo.
Aos poucos, eu vou deixando de lado essas previsões de gente que nem me conhece e acha que pode falar comigo como se tivesse ouvido o meu primeiro choro... Aos poucos eu volto a acreditar em mim. No que eu quero que aconteça. Porque acima de tudo, a gente tem de querer. E eu quero, muito!


"se capricórnio fosse câncer, se Califórnia fosse França
a rampa que lança o skate ao céu seria nosso chão
180, 360, 540 graus, girando, esquentando
só pra ver até quando o motor aguenta o caos
não vou ficar parado, não vou passar batido
se nada faz sentido, há muito que fazer"

Um comentário:

  1. "É como se o que está escrito acontecesse porque eu fiz força para que assim fosse."
    Não é 'como se'. É assim, mesmo.

    Pra mim, ou você acredita em horóscopo, ou acredita em livre arbítrio. Se acredita que alguma coisa dita a sua vida, não pode acreditar que tens algum tipo de escolha.

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