2 de fevereiro de 2010

Mulherzinha

Hoje decidi ser mulherzinha. Às vezes parece que sempre sou, mas não é bem assim. Ser mulherzinha é falar eu te amo e acreditar que as coisas duram pra sempre, e quando tudo termina da forma mais trágica possível, se entupir de qualquer doce, chorar, chorar, chorar, ver um filme meio morno - uma comédia romântica hollyoodiana é perfeita - e por fim, chorar. A mulherzinha chora porque acreditou que dessa vez iria dar certo, iria ser diferente. Não foi. E ela agiu exatamente como da última vez. Acreditou e depois quis se arrepender, pediu para o mundo parar de girar, quis ser mulherzinha. Ser mulherzinha faz você pensar a todo instante na mesma pessoa, faz você lembrar dos detalhes mais idiotas que passaram e que não saem nunca da sua cabeça. Ser mulherzinha é confessar pra si: eu amo esse cara e ficaria com ele para o resto da vida. Só que ser esse tipo de pessoa cansa. Cansa, é chato, é clichê. Eu só consigo ser assim por um dia, quem sabe dois. E depois fico me imaginando assim pra sempre e sinto vontade de vomitar todo o passado em algum lugar bem longe, pra que eu não possa voltar lá. Eu fui mulherzinha e agora sinto nojo de pensar que pude por um segundo admitir que gostava de você de verdade, que talvez um dia lá no futuro eu não tivesse te esquecido. Mas esqueça. Você é só mais um desses casos que duram mais do que deveriam, mas que de repente acabam e perdem a graça. Você é só mais uma conveniência, um atestado de sexo casual. Esse tipo de você é bem necessário na vida de qualquer mulher, zinha ou não. Veja só, até aquelas coisinhas frágeis precisam de sexo sem compromisso. É bom acordar no outro dia e ir pra casa só, sem cobranças, sem porquês. Ser mulherzinha é querer explicação pra tudo, é querer que alguém lá de cima diga em alto e bom tom: "e foi feliz para sempre". Nessas horas eu confesso, queria e talvez seja mulherzinha. Só nunca deixo transparecer. Ou quase nunca...

"Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só..."

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