19 de março de 2010

Que seja doce.


E eu sei que enquanto eu tô aqui, parada e pateta, você está por aí, vivendo, esquecendo... Sei também que nossa música já nem toca mais, e quando toca, não é mais nossa. Entendo que já acabou tudo há algum tempo, mas pra você parece ter sido mais fácil aceitar o final. Acho até que foi conveniente demais... Não o culpo por esquecer de mim antes que eu soubesse que já não havia mais nada. Eu culpo o tempo que parece se arrastar desde então. E culpo a mim mesma pela falta de amor. Amor por mim. Eu sei que um dia, qualquer dia, daqui a 25 anos ou cinco meses - isso realmente não importa - a gente vai se esbarrar por alguma rua ou avenida e vai sorrir como se fosse a primeira vez. E talvez isso faça tudo ter valido a pena. Vai ver é esse o sentido...

Já passou,

Agora já passou
Mas foi tão triste que eu não quero nem lembrar
Ver você, ter você
E querer mais de nós dois não tem nada demais
E pensar
Você aparecer
Pela janela tão bonita de manhã
Vem pra mim e não vai mais
Me abraça, me abraça, me abraça
Por tudo que for...

7 de março de 2010

Fim do dia


Esses dias eu conheci uma guria que acreditava no amor. É estranho nesses tempos de cólera saber que há pessoas que ainda acreditam, que ainda amam de verdade. Ela me disse que o amor verdadeiro nunca acaba, que não se torna ódio. Se algo tão bonito conseguiu se tornar esse sentimento tão negativo, não era amor. No máximo uma paixão, uma ilusão de óptica. O ser humano se engana. Ela também me contou que só sabe que foi amor de verdade quando percebe que nunca acabou. Que apesar dos encontros e despedidas, dos beijos e dos ''eu te odeio'' falsos, permanece, indelével. É como um vírus encubado. Não faz mal, não mata. Até que quando desperta, arrasa. E não há antídoto que cure, a não ser o tempo. Muito tempo, uma dose no mínimo quatro vezes maior que a do veneno. Ela dizia que não era justo banalizarmos tanto o amor, nem pensarmos que ele acabou. Me contou que o amor não tinha nada a ver com o coração, não era físico, era questão de alma. Amor era a alma, e sempre foram coisas eternas. Achei muito bonito, então questionei o fato de todos terem alma e nem por isso amarem. Então ela me disse que todo o ser humano tem vida, mas nem por isso a aproveita como poderia. Entendi que temos tudo em nossas mãos, mas por medo, deixamos escorrer por nossos dedos, aos pouquinhos... Vamos ficando sem nada, vazios, ocos. Eu quero minha alma completa, cheia de amor. Mas eu quero amor puro, amor de verdade. Não sei se uma plaquinha de "procura-se amor verdadeiro" adiantaria. Ou sair por aí procurando, descartando, passeando de boca em boca. É uma coisa tão bonita que acho que amor não se procura, ele nos encontra. Ninguém me encontrou. Mas vamos lá, tenho uma vida inteira a minha frente. É muito tempo, e ainda tem muito amor perdido por aí.
E eu conheço essa guria mais do que ninguém. Eu só preciso aprender a amá-la mais do que qualquer coisa.

"Seu coração já bate devagar
está cansado de sofrer
por tanto tempo a esperar
aquele alguém aparecer..."