26 de abril de 2010

Heartbreak Warfare

Antes que eu esqueça, um excerto do livro "A Feijoada que Derrubou o Governo", Joel Silveira, altamente recomendado.

"A guerra, como já disse, é cheia de truques, todos nojentos; e um dos mais nojentos é fazer com que alguém que com ela conviveu durante meses acabe sendo condicionado por ela. Por isso é que naqueles dias, véspera de voltar pra casa, eu sentia que não fora apenas a guerra que havia acabado mas também uma parte do que eu era antes de chegar à Itália. Por isso é que costumo dizer que cheguei à Itália com 26 anos e voltei com 40, embora lá só ficasse pouco mais de oito meses. Ao contrário do poeta, não foi exatamente por delicadeza que naqueles quase nove meses perdi uma parte da minha mocidade, ou o que restava dela. A guerra, repito, é nojenta. E o que ela nos tira (quando não nos tira a vida) nunca mais nos devolve."

25 de abril de 2010

Morangos Mofados

"... que aconteça alguma coisa bem bonita com você, ela diz, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando ..."

Uma luz que não produz sombra


Hoje foi um daqueles dias em que eu fiz tudo o que tinha de fazer, menos o que queria. É difícil conciliar as duas coisas sem causar grandes tremores. O mundo não está preparado pra isso, eu não estou, você nunca esteve, e talvez, nunca esteja. Essa questão de estar, de ser pra sempre também fica com um ponto de interrogação gigante no final. Mas no final do que, se a gente nunca se permitiu começar nada? Se o tempo foi passando, passaram certezas e dúvidas, e nem por isso nos rendemos. Mas exatamente a quê? A pular em um canto qualquer, na escuridão e no silêncio? E se os gritos de choro e desespero vierem depois? E se as lágrimas forem tantas que a gente não se permita nada além de nos afogarmos em nós mesmos? Sempre tivemos medo de tentar, porque na verdade, já sabíamos que amor era essa coisa mesmo. Nosso amor era dúvida eterna, era certeza de que havia aquele lance da melodia perfeita. Letra e música. E o medo de enjoar ou de a música arranhar nos fez apertar no botão de pausa tantas vezes que um dia ele estragou. Aí já era tarde pra tentar aquele que passa a música pra frente, ou pra uma repetição, quem sabe. A nossa música parou. Nós paramos. Mas o mundo continuou girando e nunca ligou pra esses detalhes. O tempo não quer saber se ficou assim, sem ponto final. Ele vai passando e carregando nossas lembranças do passado e do futuro que a gente merecia pra longe. Longe, aqui.

"Entre tanto amor,
entretanto, a dúvida..."

22 de abril de 2010

viu milhões de fotografias...



"Você já olhou para uma foto sua e viu um estranho no fundo ?

Te faz perguntar, quantos estranhos tem uma foto sua ?
Quantos momentos da vida dos outros nós fizemos parte ?
Ou se fomos parte da vida de alguém, quando os sonhos dessa pessoa se tornaram realidade.
Ou se estivemos lá, quando os sonhos delas morreram.
Nós continuamos a tentar nos aproximar ?
Como se fossemos destinados a estar lá.
Ou o tiro nos pegou de surpresa ?
Pense, podemos ser uma grande parte da vida de alguém...
...e nem saber."
- A maior parte da nossa vida, é uma série de imagens.
Elas passam pela gente como cidades numa estrada,
mas algumas vezes, um momento se congela, e algo acontece.
Nós sabemos que esse instante é mais do que uma imagem.
Sabemos que esse momento, e todas as partes dele..
Irão viver para sempre."

19 de abril de 2010

...

É com um aperto no peito de um tamanho que não dá pra explicar que vejo mais um colega partir. E não importa se falávamos vinte quatro horas por dia ou só olá. O que dói é nem poder dizer adeus. A morte ainda me assusta e me revolta. Por quê? Por que uma guria de 20 anos que estava vivendo a sua vida, planejando um futuro, agora não respira mais? E por que um cara com a vida ganha tirou a dela? Quem é responsável por tudo isso? Qual é o sentido de viver?
Fico confusa. Eu só precisava desabar. Só.

18 de abril de 2010

Bola na trave não altera o placar.


Junho quase aí e a Copa do Mundo chegando apressada. Esses eventos são praticamente um revival da minha infância. Futebol é um negócio bonito, né?! O que mais reuniria vinte pessoas, homens, mulheres, crianças, papagaio, cachorro e todas as bugigangas que acompanham partidas de futebol? Uma televisão, cerveja e churrasco. Às vezes parece que essa espera de quatro anos é tudo o que importa. As crianças correndo de um lado pro outro, a corneta barulhenta, os fogos. Ah, os fogos! Geralmente os gritos de gol são seguidos pelos seis, doze, dezoito tiros. Gritar gol é uma terapia. É o que importa, é o prêmio por tanta espera. O problema é quando o grito vem do outro lado. Copa do mundo é mais que rivalidade, não são times, são seleções. E seleções representam o que há de mais forte na nacionalidade de um país. É uma guerra bonita: os tiros são dos fogos de artifício, a disputa não é por território, é pela bola. E se no fim, um lado chora e o outro não, tudo bem. Foi só mais uma batalha, trocam os soldados, as táticas e formações de guerra, e fica tudo bem de novo. É o que dizem os hinos, que convenhamos, são mais executados em campeonatos e copas do que em quaisquer outros lugares. Copa do Mundo é isso: tudo junto numa coisa só. É um Teatro Mágico. Copa, verde, amarelo, azul, Brasil. Sou eu de novo, criança de novo, sou futebol. Quero ouvir muitos gritos e sussurros em frente à televisão. Eu quero gritar mais que ouvir, confesso. Berrar até não ter mais voz. Não ter mais o que gritar.

11 de abril de 2010

Promessas de fusão à frio


Uma mudança e vastos 14 km de distância dos meus pais. Movimento, diferença, falta. Foi por acaso que descobri - tarde ou cedo demais? - que o tamanho da distância não importa. Se não há presença, há falta. Eu, tão segura e autosuficiente que sou - ou que penso que sou - senti falta. Eu queria mais que tudo na vida ouvir aquele boa noite carregado de amor e de "filha, se cuida, tá?". Queria carinho de mãe, abraço de pai. Eu queria as piadas sem graça do meu irmão. Eu queria tudo que sempre tive, só por causa de 14 km. Nessas horas o mundo pára de girar. São os momentos em que a vida grita pra você sobre o que realmente importa. A felicidade clama por companhia, clama por amor puro. Mas a solidão sempre gostou muito de mim, e eu dela. A chuva cai, pára, e eu volto a ser a mesma. A mesma pessoa que esquece de dar o valor às coisas e pessoas certas. Eu prefiro continuar errando... Jogando amor a quem não quer, abraçando quem sempre vai embora, esperando que ele chegue de repente, perdido, sozinho. E eu sempre vou esperar a pessoa errada. E talvez o meu pra sempre não seja feliz, porque eu nunca estive completa... Eu nunca senti que seria feliz durante a eternidade. Eu queria sonhar com finais felizes, mas sempre fico só com a parte dos finais. E é claro, ainda acredito que não há término que não seja doloroso. Até o fim da dor, dói. E continua doendo.. 465, 14, 23, 7, 2005, e eu? O que faço com esse números?

"Se alguém já lhe deu a mão e não pediu mais nada em troca,
pense bem, pois é um dia especial..."