25 de abril de 2010

Uma luz que não produz sombra


Hoje foi um daqueles dias em que eu fiz tudo o que tinha de fazer, menos o que queria. É difícil conciliar as duas coisas sem causar grandes tremores. O mundo não está preparado pra isso, eu não estou, você nunca esteve, e talvez, nunca esteja. Essa questão de estar, de ser pra sempre também fica com um ponto de interrogação gigante no final. Mas no final do que, se a gente nunca se permitiu começar nada? Se o tempo foi passando, passaram certezas e dúvidas, e nem por isso nos rendemos. Mas exatamente a quê? A pular em um canto qualquer, na escuridão e no silêncio? E se os gritos de choro e desespero vierem depois? E se as lágrimas forem tantas que a gente não se permita nada além de nos afogarmos em nós mesmos? Sempre tivemos medo de tentar, porque na verdade, já sabíamos que amor era essa coisa mesmo. Nosso amor era dúvida eterna, era certeza de que havia aquele lance da melodia perfeita. Letra e música. E o medo de enjoar ou de a música arranhar nos fez apertar no botão de pausa tantas vezes que um dia ele estragou. Aí já era tarde pra tentar aquele que passa a música pra frente, ou pra uma repetição, quem sabe. A nossa música parou. Nós paramos. Mas o mundo continuou girando e nunca ligou pra esses detalhes. O tempo não quer saber se ficou assim, sem ponto final. Ele vai passando e carregando nossas lembranças do passado e do futuro que a gente merecia pra longe. Longe, aqui.

"Entre tanto amor,
entretanto, a dúvida..."

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