6 de maio de 2010

Cai a noite sem explicação...

Sinto saudade de escrever coisas boas. Vai ver faltem momentos realmente memoráveis. Ou eu simplesmente deixei de ver esse lado bonito da vida. Mas acho que o primeiro passo é admitir pra si que algo não tá legal. Tem peça faltando, tem gente sobrando, sentimentos transbordando. Tem coisa demais no lugar errado. Há poucas coisas das quais eu me orgulhe, há muitas das quais sinto falta. Preciso de muito de poucos... Esqueci como se gosta sem doer, como se gosta pouco. Esqueci que respirar é fácil, mas querer continuar pode ser uma tarefa árdua quando o ar está cheio de impurezas. Eu tô sem rumo, sem planos, sem sonhos ou ilusões. De tanto ser racional o tempo todo, agora choro por ser emotiva demais. Choro por levar tudo muito a sério, por ouvir palavras que machucam e não deveriam. Choro por ter pensado demais. É que depois de tantos questionamentos, viver não faz mais tanto sentido. Eu esqueci de viver enquanto ficava calculando as probabilidades de tudo dar errado. E deu. Me arrependo amargamente por não ter levado a sério coisas e pessoas que agora fazem falta. E falta a gente não preenche, falta é vazio, é cada vez mais oco. Eu nunca soube demonstrar amor. Eu só sei escrever. E tem muita gente cega por aí, o que abala profundamente o único meio em que sou transparente, onde sou inteira, não metade. É aqui que eu abro minha alma pra quem quiser ver. Eu nunca tive vergonha de sentir, mas eu sinto vergonha por não me permitir. E quando a gente não se permite, a gente fecha a porta. E com a porta fechada, ninguém entra.


Deixava aquela música invadir a sala
Pra preencher o espaço que você deixou
Quem sabe você volta
Até a música parar

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