9 de maio de 2010

(in)diferença

Um dia desses eu li algo que falava de amor e ódio. E foi uma frase simples e bem direta que me fez pensar a semana inteira... Era mais ou menos assim: "O contrário do amor não é o ódio, é a indiferença". Nunca algo fez tanto sentido pra mim, foi como se 20 anos da minha vida fossem explicados e finalmente as noites que passei chorando fizessem sentido. Tudo bem quando a gente ainda tem ressentimento por alguém ou por alguma situação, quando a gente sente raiva, amor, alegria, tédio ao ver alguém. O problema é quando já não se sente nada. E agora, com quem eu vou brigar? Com quem eu vou ficar implicando? É amigo, a indiferença é um prato que se come cru. Ser indiferente é simplesmente não ligar, é desprezo, é fazer do outro invisível, um fantasma. E não importa o quanto ele tente chamar atenção, é como se ele não estivesse lá. É a fase final do esquecimento. É a mudança definitiva, é o adeus pra sempre. Não conheço seres humanos que consigam conviver bem com esse sentimento. Quando estamos do outro lado é que percebemos o quanto dói. Machuca de verdade não ser mais nada para alguém. É como se não fôssemos mais nada pra nós mesmos, é um atestado de invisibilidade. E não há histeria que quebre esse pacto individual de silêncio. Não adianta mais gritar, querida, ele já não te ouve mais. É hora de partir.

"No intervalo da ausência, distraía-se em chamá-la também, entre susto e fascínio, de A GRANDE INDIFERENÇA, ou A grande ausência, ou A grande partida, ou a A grande, ou A, ou. Na tentativa ou esperança, quem saberia, de conseguindo nomeá-la conseguir também controlá-la.Não conseguiu. DESIMPORTOU-SE com aquilo."

Nenhum comentário:

Postar um comentário