10 de junho de 2010

de outros carnavais, com outras fantasias


Passaram-se 365 dias tão rápidos quanto a nossa história. Começou com muito e acabou sem nada. Faz um ano que tu te tornaste a pessoa mais especial que eu permiti que vasculhasse meu coração. Tu foste a única pessoa pra quem eu deixei minha alma exposta. Nunca vou entender por que sumiste, e se esse foi o melhor caminho. Sim, eu pedi que tu desapareceste da minha vida, mas nem assim era ódio. Eu só queria um tempo da tua presença, já que ela era mais real aqui dentro do que jamais fora. Ter de falar tudo nas entrelinhas só deixa o que escrevo com maior intensidade, com verdade e com tudo o que a gente foi. Jamais me conformei com esse terremoto e a falta da paz no final. Eu nunca imaginei que fosse sentir tanta falta. Não sei exatamente do que, mas eu sinto que foste a pessoa mais especial que já passou - e ficou - na minha vida. Não fizeste nada de especial pra isso, eu sei. Mas essas coisas a gente não escolhe, não é questão de pesar na balança, de medir, de catalogar, de definir. Acredito que o não saber sempre tornou tudo mais especial do que era. O não poder te transformou em tudo o que eu mais queria. O não ser só criou correntes cada vez mais tenras. Sempre foi difícil pensar em te esquecer. Ainda não descobri se dói mais apagar tudo ou reviver o que foi todos os dias. A nossa música nem nossa é mais, mas continua tocando. A porta ficou aberta, e eu confesso, tenho medo que outra pessoa tente entrar... Hoje sou cercada de muros e grades. Eu vivo em um campo de concentração onde vou guiando todos que chegam para a câmara de gás. Eu vou matando qualquer pedacinho de amor que tente nascer em mim. Eu sempre quis só aquele amor, eu sempre quis você. Eu perdi as chaves no meio do caminho, eu perdi o medo de que jamais fosse real. E se um dia a gente se encontrasse entre a Joaquina e o Morro das Pedras? Mas... E se a gente se perdesse? E se fosse tão longe e tão cansativo que a gente desistisse? Eu caminhei tanto tanto, eu atravessei meus medos, eu me vi perdida em um lugar desconhecido, eu me senti segura quando tu me deste a mão. Foi ali, há três anos, que eu me liguei pra sempre em ti. E se há algo que eu nunca vou perdoar é o teu silêncio. Eu nunca vou te perdoar por ter ido embora, por ter dito até mais sabendo que era adeus. Lembra da champanhe? Tu guardaste na estante e eu me embriaguei escondida. Era amor que eu tinha receio de mostrar, e mostrava. Mostrava enquanto estava escuro, enquanto tocava piano bar. Mas a música era alta demais, triste demais, verdadeira demais para o que éramos. Se a gente um dia foi algo, foi amor. Eu continuo sendo... Você simplesmente se foi. Hoje é brisa, é passado, é tempestade.

"Alguém que parte não volta..."

Um comentário:

  1. "Eu só queria um tempo da tua presença, já que ela era mais real aqui dentro do que jamais fora..."
    Eu não tinha me dado conta que já fazia um ano...

    O que eu tenho pra te dizer é o que você sempre me diz: "acho redundante comentar teus textos". Sim, porque quando eu leio algum deles eu sinto o amor, a angústia, como se fossem sentimentos meus. Sinto que sei das histórias e conheço as entrelinhas e às vezes isso me assusta um pouco. Mas bem , nada disso vem ao caso agora, o importante é: sinta o blues, mas não viva o blues o tempo todo.

    :*

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