31 de julho de 2010

Canção da Despedida


Nas últimas madrugadas eu fiquei paralisada. Com medo de escrever o que eu não sentia, de errar na hora de me entender. Fiquei sim, apavorada sem saber o que eu tô sentindo. É um amor e um ódio tão fortes e não consentidos que me deixam patética. Olhando pra cima, pra baixo, para os meus pés ou para um poste parado e idiota. Igualzinho à dona do par de olhos. Sem tempo pra me preparar eu me vi tão tão tão perto de ti, e tu fugindo de mim outra vez. Mas agora eu entendo, porque indo pra perto de ti foi a melhor forma que encontrei pra me perder de ti pra sempre. As ruas são diferentes, a cidade cresceu e aquela esquina é só mais uma esquina de uma cidade grande. Os taxis, os telefones públicos que nunca funcionaram, um ar de poluição de almas, sujeira, sujeira, sujeira e o amor não é mais puro. Ele esvaiu no ar sem que eu tivesse chance de dizer "vai, vai pra sempre, porque nós nunca fomos eternos, estávamos de passagem". Você sumiu de mim e ficou um vazio que eu não posso dizer que seja ruim. Mas quando falta algo, a gente pensa que falta tudo. De repente tanta gente não importa mais. Tanta gente importa tão pouquinho. Um nó na garganta que não desata, um ponto de interrogação gigante me esmagando a cada pensamento de "eu não te amo mais". Eu derramei algumas lágrimas por não mais que uns quatro minutos. Lágrimas de quatro anos. Acho que era o velório da gente. Um choro justificável de "nós nunca mais voltaremos nós". Nunca pensei num epitáfio pra nossa história, mas acho que seria algo como "nos amamos e fim", "nos amamos, enfim" ou "nos amamos no fim?". Eu acho que a gente sempre vai ser um ponto de interrogação. E na minha gramática, a interrogação pode ser sim ponto final. Eu parti do teu mundo com a alma mais leve, sem o que a gente aprendeu juntos, eu parti menos amor. Eu acordei, e de repente acabou. Durante o momento de um suspiro, deixei quatro anos da nossa (ou será só minha?) história morrerem asfixiados.

Foi um prazer te conhecer
Foi um prazer te amar.

18 de julho de 2010

blah blah blah

Achei que meu orgulho era grande, mas descobri que meu amor é muito maior. Eu não sei o que passa pela tua cabeça ou pelo teu coração, mas aqui você passa todos os dias. Praticamente até o ar que eu respiro por aqui lembra o seu, lá. Minhas palavras não foram capazes de te convencer que a gente ainda valia a pena. Eu tentei ser fraca o bastante pra te perdoar, mas no fundo, aqui dentro, o que mais nos aproxima é o ódio que ficou pelo que tu não fizeste. Era fácil dar as mãos quando tocava uma canção de amor. Mas foi quando nos vimos estrelando um filme de guerra que tu finalmente revelaste o que era. Eu não me apaixonaria por alguém assim. Mas eu me apaixonei. Ainda penso todos os dias. Fácil dizer pra esquecer. Pensando racionalmente é claro que faz sentido. É óbvio que não existem motivos pra ficar resgatando o passado. Acontece que lá no fundo eu não entendo que o passado não volta. E fico nessa ilusão idiota de que sei lá, por algum milagre divino você reapareça e resolva me receber de braços abertos com o sorriso de um cara apaixonado. Quão idiota e sonhador um ser humano pode ser, hein?! E mesmo não parecendo, eu tô feliz. Minha vida é realmente muito legal. Eu só não posso pensar em passado. Eu só não posso te ter no meu presente. E isso é tão triste.

14 de julho de 2010

Canção número 12

"Oiiii. Amiga, pintei as unhas de vermelho"
Tá, e daí? (deleta) Ai que lindo! Quer pegar quem? Qual a cor?
"Gabrielle! Vamos sair amanhã, lembra?"
Não quero sair mais... Tô com preguiça das pesssoas (deleta) Uhul!!! Vamos encher a cara e pegar geral!

...

Pois é, essa coisa estranha que chamam internet é um fenômeno muito estranho. Você vê uma foto feliz - a mais feliz do mundo - no avatar de alguém e acha que por isso a vida é bela e esse alguém é sim a pessoa mais feliz do mundo. Não. Eu estou chorando, enchendo baldes, tropeçando neles e derrubando toda a minha vida no chão. Eu estou DE-SA-BAN-DO. Entendeu? Eu sei que você não pôde ouvir minha voz pra ir se preparando, respirar fundo e perguntar com toda aquela sua doçura, o que houve. Também sei que não viu meus olhos fitando qualquer coisa que não fizesse sentido, só pra enganar e não deixar aquela lágrima insistente cair. É, não é sua culpa, nem minha.
Você não ouve minha respiração, você não sente meu cheiro, só lê. Lê aquelas palavras coloridas e acha que tá tudo bem. Eu sei que acontece com você também. Mas eu gosto de contato, de olhos nos olhos, olhos nas tuas mãos aflitas que sempre procuram um lugar pra repousar, olhos dentro da tua alma. Eu gosto de ouvir teu coração batendo. Da nossa energia que é só nossa.
Amigo, eu amo quando a gente simplesmente senta ao lado um do outro e respira. E quando você olha junto comigo pra lugar nenhum. Porque é lá que o presente acontece e acontece e acontece todos os dias e quase ninguém vê. Eu não gosto dessas janelas piscando feito letreiro de motel barato. Eu gosto do que ninguém enxerga, daquelas luzes que piscam e piscam sem parar quando a gente fecha os olhos. Eu gosto de amor e de amar. Eu cansei dessas janelinhas, porque elas não dizem nada. Queria poder ouvir de novo como teu coração batia quando eu ainda ouvia você dizer que me amava. Queria que aquele universo que piscava quando a gente cerrava os olhos preenchesse todo o espaço que você deixou quando eu parti.

"Eu não encontro nada que me dê motivo
outra vez pra procurar o que sobrou.
eu vivo condenado e sem saída
de um passado que parece não ter fim..."


12 de julho de 2010

de fé

"A amizade é um amor que nunca morre".

É mesmo, Mário Quintana? Ou o ser humano deturpou até o sentido dessa palavra? O dicionário é claro e objetivo: "Afeição recíproca entre dois entes". Recíproca, entendeu? O amor deve vir das duas partes, deve haver um fluxo e um contra-fluxo de consideração e confiança. Eu não sei se é apenas uma fase, mas eu sinto que fiz menos amizades nesses últimos anos do que pensava. Parece que as boas e poucas ainda são as mais antigas... Não consigo mais considerar alguém que conheço há um ano e meio um amigo. Até porque as situações que atestariam pra sempre como verdadeira a amizade nem puderam acontecer. Talvez eu tenha me precipitado demais. Tem gente que não liga pra dicionário, ainda menos pra Mário Quintana. Eu não vou exigir que sintam da mesma forma que eu. Mas também não exijam que eu os chame de amigos. Porque meu querido colega, amizade é algo forte, e é pra sempre. É tão, mas tão forte, que acredito ser junto com nossa família o pedaço mais importante de nossas vidas. Não vou ficar chateada se você não me considera o pedaço mais importante da sua vida, fica tranquilo. Mas não exija que o meu tempo e minha atenção sejam voltados pra você por tanto tempo. O resto da vida é muito, e eu não quero gastá-lo com quem não me quer por perto da mesma maneira que eu o quero. Amizade é conforto, além de tudo. E se a gente nem se diverte mais, se eu já não faço mais parte do seu dia triste, ou alegre, ou cinza, ou de verão, a gente não vale mais a pena. A nossa amizade era só um passatempo, uma conveniência para não se estar sozinho. E eu odeio conveniências. Desculpe se eu for cruel, ou simplesmente for te esquecendo. Acredite, você já me esqueceu há muito tempo. E o mais importante: esqueceu de nós. Um bom dia sincero me interessa. Sua falta de vontade de ficar ao meu lado já não faz falta e nem me completa. Pelo contrário, consome.


"Eu tenho muitos amigos, tenho discos e livros
mas quando eu mais preciso, eu só tenho você..."

5 de julho de 2010

A vida é hoje

É normal querer estar entre pessoas só para ignorá-las? Sair de casa e ter o prazer de sentir que não precisa de nenhuma delas. Nenhuminha. Sentir-se completo o suficiente pra viver numa ilha deserta e ser feliz pra sempre. Normal almoçar sozinha e sentir o prazer de ouvir o som da própria mastigação, do arroz sendo habilmente destroçado em companhia de nada menos que você? Eu não sei o que o mundo considera normal, mas eu ando me bastando tanto comigo e achando as pessoas tão sem graça, tão sem nada... É uma fase em que observo os humanos agindo como animais e dou gargalhadas sem fim, sem som. Risos histéricos e piadas só minhas, porque se alguém ouvir perde toda a graça. Parece meio louco, mas eu tô adorando a minha companhia, a autossuficiência que eu tanto busquei, e que de repente, chegou. Eu ainda nem te esqueci e já sei viver sozinha. Veja só! Aquela guria que não conseguia respirar se estivesse sem companhia, que necessitava ouvir boa noite, ou tchau, ou um simples a gente se vê. Alguém que queria sempre mais, sempre soma e queria presença. Agora essa gritaria toda lá fora me irrita. A de dentro só me deixa com mais vontade de estar só.

"Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."