14 de julho de 2010

Canção número 12

"Oiiii. Amiga, pintei as unhas de vermelho"
Tá, e daí? (deleta) Ai que lindo! Quer pegar quem? Qual a cor?
"Gabrielle! Vamos sair amanhã, lembra?"
Não quero sair mais... Tô com preguiça das pesssoas (deleta) Uhul!!! Vamos encher a cara e pegar geral!

...

Pois é, essa coisa estranha que chamam internet é um fenômeno muito estranho. Você vê uma foto feliz - a mais feliz do mundo - no avatar de alguém e acha que por isso a vida é bela e esse alguém é sim a pessoa mais feliz do mundo. Não. Eu estou chorando, enchendo baldes, tropeçando neles e derrubando toda a minha vida no chão. Eu estou DE-SA-BAN-DO. Entendeu? Eu sei que você não pôde ouvir minha voz pra ir se preparando, respirar fundo e perguntar com toda aquela sua doçura, o que houve. Também sei que não viu meus olhos fitando qualquer coisa que não fizesse sentido, só pra enganar e não deixar aquela lágrima insistente cair. É, não é sua culpa, nem minha.
Você não ouve minha respiração, você não sente meu cheiro, só lê. Lê aquelas palavras coloridas e acha que tá tudo bem. Eu sei que acontece com você também. Mas eu gosto de contato, de olhos nos olhos, olhos nas tuas mãos aflitas que sempre procuram um lugar pra repousar, olhos dentro da tua alma. Eu gosto de ouvir teu coração batendo. Da nossa energia que é só nossa.
Amigo, eu amo quando a gente simplesmente senta ao lado um do outro e respira. E quando você olha junto comigo pra lugar nenhum. Porque é lá que o presente acontece e acontece e acontece todos os dias e quase ninguém vê. Eu não gosto dessas janelas piscando feito letreiro de motel barato. Eu gosto do que ninguém enxerga, daquelas luzes que piscam e piscam sem parar quando a gente fecha os olhos. Eu gosto de amor e de amar. Eu cansei dessas janelinhas, porque elas não dizem nada. Queria poder ouvir de novo como teu coração batia quando eu ainda ouvia você dizer que me amava. Queria que aquele universo que piscava quando a gente cerrava os olhos preenchesse todo o espaço que você deixou quando eu parti.

"Eu não encontro nada que me dê motivo
outra vez pra procurar o que sobrou.
eu vivo condenado e sem saída
de um passado que parece não ter fim..."


2 comentários:

  1. Esse teu post complementa aquele do meu blog que tu comentaste. Ela quis resolver tudo pelo msn e eu disse que me bastava vê-la, passar umas horas perto dela. Então ela pediu um tempo (como sempre fez), me deixando em dúvida sobre o que o futuro me reserva.

    A propósito, comentei lá, depois de ti.

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  2. Final maravilhoso, Jota. Muito muito bom mesmo!

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