6 de agosto de 2010

fim do dia

Olhando esse pôr-do-sol que mais parece uma daquelas pinturas abstratas que a gente fica observando e não entende nada, pensei como eu falo mal do amor. Em anos escrevendo em blogs que já morreram ou se perderam pelo ciberespaço, nunca deixei subentendido que o amor era lindo. Nas entrelinhas, por trás de toda dor e lamúrias, eu acho sim o amor a coisa mais linda que pode acontecer na vida de um ser humano. O problema é que não consigo escrever a parte boa de nada. Como se o que fosse perfeito não merecesse minha atenção nem a de ninguém que tenta me ler por aqui. E não merece. Não nasci pra pensar sobre coisas boas nem pra descrever quão lindo é o céu todo colorido, os passarinhos cantando ou o som do mar. Eu gosto de falar da tempestade, da catástrofe, do que é intenso e dá medo. Gosto de incêndio e do fim do mundo. Não sou uma boa escritora. Não consigo falar de tudo, ou talvez não fale porque simplesmente me dou  o direito de não tentar. Nunca tive pretensão alguma com essas frases - clichês ou não - que ficam perdidas e que às vezes encontram alguém. Que bom que encontram, mas se sumirem eu também não me importo. Ficar apegada a textos já não faz mais sentido e nem parte de mim. O que é necessário ser lembrado fica aqui dentro, e não em meio às palavras. Não tenho foco, não penso no fim dos textos, no fim de nada. O céu já tá escurecendo e eu prefiro os faróis dos carros me cegando e todo esse barulho a poluição o escuro, e no fim silêncio. Silêncio silêncio silêncio e a tua voz ensurdecedora. Escrevi tudo isso pra concluir que ainda não te esqueci.

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