28 de outubro de 2010

rosie and me

Ignore o amor e ele vai te ignorar. Feche a porta na cara da felicidade e, veja só, ela vai embora sem dar adeus. A vida não quer saber se tu tens medo dela, ela acontece de qualquer jeito. É o teu tempo passando, és tu passando o tempo com os outros. Nos últimos meses tenho escolhido bem com quem quero gastar minhas risadas, meu mau humor matinal, minhas palavras de carinho, meu bom dia. Uma espécie de filtro que não deixa passar algumas impurezas, que não são de todo más, apenas não me permitem usar toda a minha capacidade de respiração. Eu sempre gostei muito de estar entre pessoas, gente, multidão, barulho. Mas confesso: tenho preferido duetos. E essa coisa de solidão não me satisfaz mais. No fundo, dá um medo tentar cantar uma música assim, tão sós. Parece que qualquer nota musical que a gente erre vai soar como um violino completamente desafinado. Mas eu gosto da melodia que a gente faz. E gosto mais ainda de não ter chegado ao refrão. Ainda. Gosto de escrever a letra devagar, sem pressa, sem o compromisso dos ajustes finais, porque no fim, é só o início. E eu sempre gostei do que ainda é metade.

13 de outubro de 2010

Ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez

Deixa fluir, vai navegando e mudando a direção conforme o vento. Eu até sei o caminho, só fico indecisa na hora de escolher qual deles não tem precipício. É uma tormenta ter amado tão cedo. De alguma forma eu sinto aqui dentro que nunca mais vou conseguir fluir. Deixar as coisas acontecerem, pular no escuro da piscina. Mesmo que eu esteja de colete salva-vidas, mesmo que com tubos de oxigênio infindáveis e o telefone do socorro mais próximo, o amor não é mais algo simples pra mim. Relacionamentos tornaram-se enigmas. Eu tento decifrar cada um. Milímetro por milímetro. Olhar, suspiros, negações e ausências. Eu quero encontrar sentido e, o pior, defeito em tudo. Estou sempre procurando um motivo pra fechar a portinha que dá direto no ponto fraco do meu coração. Eu cerquei minha alma com arame farpado. Algum dispositivo em mim não me permite mais gostar de alguém ao ponto de parar de racionalizar, de virar idiota, de agir como quem gosta, de não fazer sentido. O que busco agora são explicações para as coincidências e razões para apertar o botão de desistência. Uso qualquer motivo contra minha felicidade. Abuso dos recursos pra matar qualquer tentativa de amor, ou de paixão, ou de carinho. Insisto em um ódio irreal para afastar o que é bom pra mim. E eu não sei como farei um dia essa autosabotagem parar, esse extermínio de uma possível felicidade. Deve ser o medo de fazer tudo errado de novo. Ou de acertar dessa vez. O meu passado ainda é o maior exemplo de amor que eu tive na vida. Amor que sobrevive ao tempo, à indiferença, ao presente, ao aborto de uma relação que existiu e resistiu a distâncias e acenos de adeus. Um amor que eu insisto em carregar no peito, por onde quer que eu vá. Quem sabe um dia eu perca essas tuas lembranças pelo caminho e consiga começar algo novo. Deixar fluir. Dar uma chance pra mim de ser feliz pra sempre de novo. E que eu entenda que "não importa o quanto vai durar - é infinito agora".