19 de novembro de 2010

frases banais das quais já me arrependi..


De vez em quando dá uma vontade de ter nascido de outro jeito que quase entro em crise existencial. Cansa ser assim, carente de tudo, orgulhosa demais, apegada ao passado e morta de medo do que vem por aí. Não vou chamar de covardia, mas a possibilidade de tornar as coisas sérias demais me apavora. Eu corro de qualquer tipo de relacionamento estável, mesmice, sono regulado, qualquer coisa que siga uma linearidade espanta minha alma. Eu sou capaz de pegar uma linha de ônibus diferente só pra causar um rompimento da rotina. Eu posso gostar de alguém, amar enlouquecidamente, mas só de pensar em um compromisso, no almoçar juntos todo dia, no cinema todos os domingos, no carinho a toda instante, desisto. Não levanto uma bandeira branca, não dou adeus, não sou tão clara ao ponto de acabar tudo. Eu desisto de nós sozinha. E quando um não suporta a ideia de estar junto, o amor vai morrendo, dos dois. Acho tão bonitinhos aqueles casais deitados no sofá comendo bolacha e tomando algum suco colorido, uns cafunés e uns papos transcedentais sobre a vida, a morte, o amor. Mas eu nunca me vi lá. Eu nunca me enxerguei na varanda da casa com cercas brancas, tomando um chá de maçã balançando na rede e esperando o príncipe encantado chegar galopando seu lindo cavalo branco. E o cachorro, um Golden Retriever, peludo, brilhando no sol, amigão, daqueles cachorros que a gente lembra por toda a vida. Eu não consigo me imaginar vivendo uma felicidade tão bonita. Eu não nasci pra estrelar filmes românticos e lindas histórias de amor. As minhas sempre doeram, do início ao fim. Ou fiz questão que não doessem abandonando o barco antes mesmo de ele partir. Por medo da ressaca eu me afasto e passo a garrafa de vinho pra qualquer uma que aceite uma aliança na mão e na alma. Aquela sim vai ser feliz pra sempre. Eu vivo pra mostrar aos outros o quanto pode ser bom, mas saio da história antes que me leiam por completo. Aí vem alguém e termina tudo por mim. De tantas vírgulas deixadas por aí, sobraram apenas casos desconexos e sem ponto final. Sou assim, reticências sem rumo, sem dono.

Se você ouvisse
Às vozes que ouço à noite
Às vezes me assustam
Outras vezes me atraem

2 comentários:

  1. J.que introdução mais linda para uma grande história que ainda está por vir.Mesmo não sendo ficção, mostra o quanto a autora tem talento (palavra antiga, não?) para se tornar uma escritora que, certamente, pode voar e voar muito alto.
    Acredite:não é porque já vivi mais de meio século que não continuo tendo medo do futuro e, ainda, me sentido presa a alguns momentos do passado.
    Mas eu sinto nas tuas entrelinhas a vontade de arriscar e...concretizar.
    Vá em frente, meu bem! É bom ter um pouco de medo. É uma bela estratégia para não nos machucarmos muito e tomar cuidado com certas armadilhas.
    Parabéns pelo Blog! Sucessoooooooo! Viva e vença, sem perder essa pureza e humildade que faz de ti, garota de garra, uma pessoa lindíssima.

    Em tempo: que foto mais fofa, Meu Deus!

    Bjs.

    Su

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  2. Belo texto, Jota! Gostei bastante de como você costurou as coisas! Ficou interessante o quanto ele pode ser pessoal e impessoal ao mesmo tempo.
    Beijos

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