25 de dezembro de 2011

Dias melhores pra sempre

Véspera de Natal e um filme passa pela minha cabeça. É o meu 22º Natal e tanta coisa mudou... Fui crescendo, perdendo a vontade de montar a árvore, de pôr a estrela no topo, de presentes, de me vestir de vermelho e branco religiosamente. De uns anos pra cá uso o dia 24 pra pensar no resto do ano, diferente da maioria das pessoas que deixa isso pro último. E hoje, a única coisa que consigo pensar é nas pessoas que partiram. Seja pra onde for, mesmo que continuem perto de mim, não fazem mais parte da minha vida. Não dividem mais sorrisos, nem abraços nem choros de tristeza. Pessoas sem as quais eu achava que não viveria, e que hoje vivem perfeitamente sem mim. Algumas por terem me esquecido, outras por não fazer mais sentido estarem ao meu lado. Há ainda aquelas que não sabem por que partiram se havia milhões de motivos pra permanecer. Aquelas que estão por aí, em algum lugar desse mundo, talvez pensando sobre o mesmo. Outras não estão pensando em nada. Sinto falta de muita gente na minha vida, pessoas que eram importantes sim, mesmo que não soubessem disso. Mas o tempo passa, as pessoas passam, a vida passa. A gente passa o tempo todo e tem de deixar partir. Não podemos ser âncora de ninguém, temos de ser um porto. E quando não formos mais seguros, devemos sim, com toda a felicidade e paz do mundo deixar que o barco continue a navegar em outra direção, que encontre seu Norte por aí. E é isso que desejo esse ano: que as pessoas se percam, que se encontrem, que vão embora, e se acharem que for o melhor, voltem. Eu quero sentir aquele amor verdadeiro que só admite felicidade. Porque o verdadeiro amor não é quando se está junto, é quando mesmo separados, o maior e único desejo é de que o outro esteja bem. Em paz, feliz. Não importa onde, nem com quem. Amar de verdade é saber que nem sempre se é a melhor companhia pra alguém. Então, que partam. Que naveguem por outros oceanos, porque um dia a gente vai se encontrar, mesmo que eu não saiba quem é você. Todo barco precisa de um porto. Feliz Natal.

13 de dezembro de 2011

Noite

Eu sempre soube que acabaria em nada. Velhas fotos em preto e branco repetidas. Afinal, a natureza segue seu ciclo, por que com o amor seria diferente? A gente nasce e a gente morre. Normal que aconteça isso também com o que as pessoas sentem. Mas às vezes nem chega a se desenvolver, não passa de uma história sem roteiro, uns rascunhos deixados de lado pra escrever algo mais interessante. A gente muda o script sem avisar ninguém que acabou. E até tenta umas cenas mais ousadas, uns atores novos, um drama originalmente grego. E fica por isso mesmo. Porque a verdade é que não há comunicação completa. Não há olhar, não há música, não há palavra que consiga transmitir o que se passa dentro de um ser humano. Se não fosse isso, talvez guerras mundiais fossem evitadas. E finais infelizes também. Má comunicação misturada à parte mais frágil e escura do ser humano resulta em merda. Nada menos que muita merda, vinganças inúteis e partidas. E quem sentia amor, sente raiva. Mais um coração partido. Mais alguns pedaços de passado pra guardar na estante. Junto com os outros prêmios de primeiro lugar no quesito inocência. O mundo é podre. É a eterna batalha da luz e da escuridão. E já tá escuro por aqui há algum tempo. Boa noite.

17 de novembro de 2011

my way

Um dia me perguntaram por que meu sorriso sempre foi de menina, mas meu olhar como o de quem já viveu um século e ainda pensa nos cem anos que ainda não viveu. Já me disseram que eu nunca fiz sentido, que sinto calor quando todos sentem frio, e que danço sob a maior tempestade em vez de abrir o guarda-chuva. E já duvidaram mais do que eu lembro das minhas palavras. Não sei se é desconfiança, descaso ou só necessidade de reafirmar minhas fraquezas. Enquanto eu bailava uma valsa sozinha ao som de Piano Bar, recolhia armaduras pelo caminho. Achei que fossem me proteger da ventania e dos destroços que voavam todas as vezes que senti que iria ficar. Mas armadura não desvia tempestade. É preciso procurar um abrigo capaz de nos fazer sonhar com dias de primavera. E eu nem gosto de flores. Ter o olhar de cem anos é enxergar a vida como se fosse acabar a qualquer instante. É fazer tudo, fazer nada. É querer conhecer todas as pessoas do mundo e amá-las como se partissem. Ao meio. É acreditar na alma do ser humano e duvidar dela logo depois. É amar sem pensar no por que e sem precisar falar o tempo todo. É respirar fundo toda vez que o sol nasce e ir a qualquer lugar sem medo de ficar sozinho. É ter medo de ficar pra sempre só. Abrir portas sabendo que alguém um dia vai fechá-las sem ao menos dizer adeus. E que a verdade dói. E que as feridas abertas jamais cicatrizam, no máximo deixam de doer até que alguém vai lá e tira a casquinha. E sangra pra sempre. Ter o sorriso de menina é dizer vem comigo pra sempre quando alguém diz nunca mais. É ter a inocência de acreditar que o mundo é bom e que nuvens são feitas de algodão doce. Até descobrir que elas também derretem. É acreditar em tudo o que falam e no que se sonha também. Ter sorrisos e olhares opostos é saber que amor não acaba, que adeus sempre vai ser até mais, mesmo que ninguém mais acredite nisso. A canção nunca se cansa. Aí você olha pra trás e lembra do que ficou pela metade, dos que partiram sem explicação, dos barcos sem rumo, dos sonhos que afundaram, dos planos e promessas. Das palavras desperdiçadas, dos quilômetros percorridos, dos sorrisos falsos e daqueles tímidos também. De tudo que tentou dizer e nunca conseguiu. Não há verdade onde há escuridão. Se a gente não enxerga, é como se não existisse. Até que o tempo dissolva o silêncio que deixou tudo pra depois. Uma pena o depois ser tarde demais. O amor não espera.

1 de novembro de 2011

De vermelho vive o coração

O evento estava marcado para oito da noite, mas às seis da tarde já chegavam convidados com no mínimo 50 anos. Balões vermelhos enfeitavam o salão, na verdade um galpão com patrocínios por todos os lados, de materiais para construção Bem Te Vi à Funerária Nosso Lar. Ao lado, o que parecia um barzinho com alguns velhos bêbados e barrigudos se revelou, no fim, algo chamado na região por “casa vermelha”.

Foram chegando cada vez mais pessoas ao salão, sempre em grupos. O relógio de no mínimo um metro de diâmetro pendurado na entrada marcava cerca de dez horas enquanto os 180 convidados se deleitavam com carnes vindas de espetos de todos os cantos. Garçons vestidos a caráter, feito pinguins, zanzavam de mesa em mesa. Cada uma com 12 pessoas sentadas e enfileiradas. A agilidade não era o forte dos moços de branco e preto. Nas idas e vindas das picanhas, maminhas e costelas o chão era banhado de gordura misturada ao sangue das que ainda estavam mal passadas. No centro do salão, mais comida. A mandioca cozida se desmanchava a cada colherada que tentava colocá-la no prato, na maioria das vezes sem sucesso. Teimosa, grudava na colher com medo de ser devorada. A salada de alface, tomate e cebola acabou tão rápido quanto o prato com cucas, levemente adocicadas e imprescindíveis nos churrascos da região. O município era Iporã do Oeste, cidadezinha de Santa Catarina com quase oito mil habitantes, a 790 quilômetros de Florianópolis.

Ao redor de qualquer mesa se ouvia uma mistura de português com alemão, ou só alemão e uns sons inidentificáveis. O ruído se misturava ao de uma bandinha alemã que entre uma música e outra agradecia aos convidados da região pela presença. O grupo alternava canções conhecidas com marchinhas típicas da Alemanha. Alguns casais se arriscavam a dançar no meio de todos os convidados. A maioria deles sem técnica nenhuma com damas que esbanjavam vestidos esvoaçantes e rodavam pelo salão inteiro, fazendo a alegria de boa parte dos espectadores. O chope era liberado a noite toda, e a cada barril esvaziado notavam-se sorrisos mais bobos e sinceros, gargalhadas mais altas e grupinhos fofocando, todos com copos e canecas na mão. Quando não estavam nas mãos, ficavam abandonados nas mesas com chope pela metade, sem dono. Um senhor de uns sessenta anos embriagava-se bebendo direto de uma jarra. Convidados de 18 aos 80 anos consumiram em poucas horas cinco barris de chope, somando 500 litros de álcool.

O aniversariante, Jacob José Butzge, completava naquela noite 90 anos. Dançou com a namorada, com amigas e com todos que participaram de uma dança típica: a polonesa. Um tipo de roda gigante em que os pares trocam durante a música que só acaba quando voltam ao par original.

Já passava da meia-noite quando uma mulher conhecida da família tentava tirar chope da máquina sem líquido algum. Nem espuma, nem nada. Insistente, começou a tomar ar. Bateu algumas vezes no barril, falou umas palavras em alemão e bebeu novamente a caneca cheia de nada. Crianças dormiam no colo dos pais e mães pelo salão e um casal brincava de pega-pega, enquanto quatro filhos do aniversariante mais o genro jogavam futevôlei no meio das mulheres impacientes.

A porta do galpão se fechou minutos depois de os donos do local recolherem bancos e mesas, sem camisa e com algumas barrigas bem salientes à mostra. O barzinho da luz vermelha continuava cheio, sem outdoor que o identificasse parecia bem conhecido dos homens da cidade. Às margens da BR, os últimos convidados deixaram a cidade do Grande Oeste sob chuva forte, granizo e neblina. Não se via quase nada a não ser uma faixa branca, faróis vindos da direção contrária e um barulho ensurdecedor de pedras caindo no teto do carro.

20 de outubro de 2011

desabafo objetivo

Cansada do fica pra mais tarde e até amanhã. Eu quero agora, quero hoje, quero pra sempre.
Se for só mais uma estação, vou deixar passar. Já cansei de me entregar por inteiro e ter só a tua metade. Amanhã ou depois já é tarde demais.

19 de setembro de 2011

vácuo

Dizem por aí que insanidade é quando o ser humano repete os mesmos atos sempre esperando consequências diferentes. Se pensar assim, acho que mais da metade da humanidade deveria estar internada em um manicômio. Se é que o mundo já não se tornou um grande conglomerado de insanos. Gente que não dorme, gente que para de comer, gente inconsequente, gente que bate, que bebe demais, gente que fuma. Todos achando que, talvez um dia, quem sabe, alguém encontre uma cura. Que vícios são parte da gente, e até direito. Sempre procurando uma desculpa pra culpar a vida, pesquisando álibis para livrarmos nossos nomes do banco dos réus. Repetindo erros, e por que não, acertos, e imaginando que vai ser diferente. Que as constelações vão intervir, que somos todos especiais e que sempre tem alguém por nós, em algum lugar. E acontece a mesma coisa. Aí deram o nome de frustração. Depois disso vem um pouco de mágoa, um pouco de fúria, uns gritos desesperados e depois silêncio. Todos loucos no mais completo vácuo. E no vácuo ninguém se ouve, não há nada além de silêncio e vazio. Onde não tem ar, não tem conversa, não tem te amo, não tem adeus. No silêncio que vai machucando e matando o resto de ar que ainda existe, exterminando qualquer melodia que alguém queira compor. Silêncio é vazio. E ninguém vive por muito tempo sem nada.

8 de setembro de 2011

"Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe… Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto, talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que um silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo…"

9 de agosto de 2011

dexter

Eu aqui de novo. Dessa vez motivada por uma série que me deixou com um nó no estômago. Dexter. Um cara sem sentimentos que mata porque "algo vem de dentro". Não mata pra equilibrar bem e mal, por vingança ou por justiça. Não vê graça em sexo, não tem fé no ser humano e é amado apenas pela irmã. Assim se define. Mata desde pequeno. Começou com animais. Fiquei pensando se o ser humano fizesse o mesmo. Matasse porque uma vontade de deixar as coisas certas se tornou mais forte que o medo de cometer um crime. Na verdade não é o medo de tirar uma vida em si, mas o de ser pego. O medo de saberem que foi você. Vergonha, remorso, o que? Só assisti a dois episódios, mas confesso que tô intrigada com a mente do Dexter. Escrevendo algumas ideias desconexas só porque são quatro da manhã e eu não tenho ninguém com quem comentar. E faz parte da fase "acho que perdi a fé no ser humano". Frieza e racionalidade me parecem boas saídas e rendem menos dividendos ao fim de tudo.

5 de agosto de 2011

além de mim

Cheguei a um ponto da minha vida de onde não sei mais sair. Parei. Estagnada. Um às de espadas fora do baralho. Não sei se ainda tenho sonhos, ou força pra realizá-los. Perdi a fé e a esperança no ser humano. Perdi o amor pelo caminho. Perdi o amor. Todo. Há alguma coisa lá fora que eu não consigo enxergar, há milhões de coisas aqui dentro que ninguém vê. E não é só sobre amor. É sobre ser você, sobre acordar e não saber o que quer ou como vai ser. É sobre se perder. Eu continuo aí, pelo caminho, meio cambaleando, meio desconfiada, tateando o escuro como se minha visão já não servisse pra nada. Eu desperdicei amor por tantos lugares, joguei por aí meus sentimentos mais puros, perdi alguns pedaços do que me fazia, veja você, singular. Fui me despedaçando a cada vez que me despi do amor-próprio, por você. E quem é você? Eu me deixei num canto ofuscado pra ver a gente brilhar. Mas só fui apagando, queimando tudo, tornando tudo o que toquei cinzas. E não me venha com essa história de que a fênix vai surgir de repente e voar bela e majestosa pra todo mundo continuar acreditando. O ar tá pesado, tá acabando. E a vida aí, todinha pela frente. O vento soprando, a tempestade que não para, frio, frio, frio. Você em algum lugar, longe, longe, aqui. Eu longe do que desejei ser. Minha paz parece aquele horizonte que nunca chega, o sol se pondo todo fim de tarde pra me lembrar que é pouco mesmo. Que o tempo é assim, passado. Eu fui egoísta ao dar tanto amor às pessoas erradas. Mas existe errar no amor? Realmente há um código que pune quem ama demais o que ou quem não deveria? E que marca na alma da gente que foi tanto amor um dia e hoje não há mais nada? Só umas imagens meio bonitas, uma dorzinha que nunca passa, uma saudade crônica, uma vontade de algo que a gente sabe que não existe. E esse túnel que todo mundo tem de passar, tem fim mesmo? Um dia a gente caminha, caminha, caminha e encontra aquela paz, aquela luz, o pote no fim do arco-íris? E descobre que a vida é bela, que sempre foi uma daquelas pinturas abstratas, cheia de pontos, que parecem não ter sentido. Aí você olha mais uma vez, e os pontos se conectam e formam uma história. Uma história que a gente constrói usando total liberdade. A gente vai usando os tons, os pincéis e o estilo que melhor nos convém. Não é assim? Nem sempre vai ser uma imagem digna de aplausos, mas é o que a gente conseguiu fazer. Um esboço, um rascunho, um desastre? E isso é pintar uma vida. E que o medo de que estejamos pintando sempre em preto e branco nos consome a cada madrugada em que uma lágrima sincera ainda cai. Mas vai que um dia alguém pincela com tons de amor. A gente canta assim, escreve uns poemas bonitos, acredita no feliz pra sempre, acredita que ainda pode ser. A gente sempre espera que em algum lugar por aí exista uma alma capaz de tornar nossa tela uma obra de arte, alguém que arrisque um acorde em dó maior.

22 de julho de 2011

Mariana


Vai passar, vai passar. Foi assim que Mariana passou a vida inteira enfrentando seus pesadelos e seus demônios. Eles passaram, mas o tempo também. Ela respirava fundo, contava até algum número com dezenas de casas decimais, e continuava andando por aí. Nunca teve rumo, acreditava nas pessoas e na vida. Levava o amor dentro da alma como o homem leva a traição no pinto. Nada mais natural. Cresceu lendo Clarice, sentia arrepios com aqueles contos do Caio, releu Pergunte ao Pó o mesmo número de vezes que chorou com Arturo Bandini e aquela garçonete mexicana. Sua maldição era amar. Nem demais, nem de menos. Amar já era uma cruz muito grande pra uma menina de 15 anos carregar. Brigou com a vida algumas vezes, mas depois fez as pazes. Teve o coração partido apenas uma vez, as outras foram só alguns litros de lágrimas e um pouco de ceticismo a mais em sua vida. Nada que não pudesse ser consertado. Tornou-se mulher, conheceu o prazer, gozou, gemeu, gritou. Gritou por ajuda, por amor verdadeiro, pelo passado. Descobriu que os melhores dias de sua vida sempre estiveram no horizonte esperando para ser vividos. E que o passado sempre será mais belo nas lembranças que verdadeiramente foi quando real. Que o ser humano mente. Homem, mulher, gays, lésbicas, simpatizantes. Não importa: o ser humano mente pra sobreviver. Mente por amar demais, mente por não amar, mente por odiar, mente porque gosta e se alimenta de mentiras. Foi aí que percebeu que grande parte da sua vida fora um conto de fadas, meio triste, meio sem roteiro, mas foi. E que a realidade dói. Conheceu caras, deu pra desconhecidos, despiu-se de seus pudores e fez o que jamais imaginara quando menina. Tornou-se mulher. Cheia de exageros, extremismos, histerias, sensibilidades, cheia de amor e sonhos. Mariana só tem 22 e parece que já viveu bem mais que isso. Mariana continua respirando, caminhando pelas areais de praias desertas no inverno, ouvindo que vai passar. A vida vai passando e o tempo de Mariana também. Mariana é só mais uma dessas bilhões de mulheres que procuram uma metade, quando deveriam procurar o amor inteiro. Um dia Mariana vai ser completa. Um dia Mariana também passará.

18 de julho de 2011

quase amor


sabe, não pensei que voltaria aqui em tão pouco tempo e por outro alguém. no último mês todo o meu ceticismo e teorias sobre amor e tempo foram pelo ralo. cada dia que passa só me deixa mais convencida que falar de amor é perda de tempo. ou ao menos tentar entender como acontece e por que acaba. você já não consegue passar um dia sem pensar, sem sentir muito, a falta. por uma banalidade ele passa a fazer parte das suas madrugadas e sonhos, e você sabe que vai ficar. deveria apenas passar, deixar umas lembranças boas, uma saudade boba, um até mais sem pretensão alguma. mas conseguiu o que poucos conseguiram: tornar-se motivo pra que eu escreva. pra que eu volte nesse emaranhado de lamentações, pra que eu olhe novamente no baú de más lembranças e chegue à conclusão de que vou errar sempre que acontecer de novo. que eu vou cair no mesmo papo, vou sonhar os mesmos sonhos, vou esperar alguém que não vem. os personagens mudam, os signos nem tanto. o sinal de que tinha tudo acabado foi a falta de um adeus, a ausência da despedida. mas eu sou tão teimosa que achei que dessa vez iria ser diferente. acontece que a gente não decide isso, e que quando a história começa com um jogo, alguém sai perdendo. e de novo e de novo e de novo, fui eu. parabéns pela medalha de ouro, eu me contento com a chance de ter jogado contigo....

12 de junho de 2011

Adeus

eu sei que disse que iria sumir da tua vida, mas menti. na verdade eu acho que venho aqui pela última vez.e você tem todo o direito de ignorar. egoísmo ou não, eu preciso. só voltei pra dizer que ficaram as boas lembranças, mas eu preciso seguir, continuar. eu sempre amei mais, normal que demorasse mais pra te deixar partir de verdade. e acho que tenho todo o direito de te falar isso. tu nunca foi perfeito, mas era do jeito que eu queria e precisava. não vou mentir, eu ainda te procuro nos outros, embora não queira te encontrar. aprendi muito contigo, mudei muito por você, e por mim também. todas as vezes que voltei foi impossível não sentir aquela tristeza do nunca mais. é difícil atravessar a borges de medeiros e não lembrar da gente ou sentir um frio na barriga. mas acho que é hora de me desligar de ti, de sumir também. sempre acho que chegou a hora de onde eu começo uma nova vida num presente bonito, sem as más lembranças do passado. mas acaba voltando tudo. sei lá o porquê. tu conseguiste e eu não. dá uma certa inveja até. espero que estejas feliz, ou bem próximo disso. o que eu sinto é que amor verdadeiro como o que eu senti por ti eu não vou mais encontrar.. naquele tempo eu era inocente, e tinha uma pureza que eu perdi. talvez tenha sido tão bonito por isso. também não sei dizer se o que aconteceu foi especial ou não. se um dia a gente foi diferente desse monte de relacionamento que começa e acaba com tanto vazio que as pessoas costumam usar pra preencher aquele baita buraco na alma. espero que esse seja finalmente um adeus. com quase 22 anos eu não consigo mais sonhar com alguém que vá me fazer feliz. não que esse cara fosse você, mas era o que eu pensava. eu sonhava. aí a gente acabou. enfim. desculpe por voltar mais uma vez aqui, mas eu ainda ando pelas mesmas ruas, a cidade cresce e tudo fica cada vez menor... te cuida. dessa vez é adeus mesmo. chega uma hora que a gente cresce de verdade e tem de esquecer o passado. mesmo que continue doendo.

7 de junho de 2011

último suspiro

Quase dois anos e não vejo nenhum sinal, estrela, lembrança, indo embora, deixando a gente em paz, uma lápide, algo que diga que finalmente não somos mais nada, nem história, nem memórias, nem tragédia nem nada, e que foi tudo um erro, belo, mas um erro, uma falha no destino, um atalho errado, um acidente, um acidente que deixou gente demais ferida, um acidente que matou, que acabou com tudo, tudo, tudo e nem adeus, nem até logo, nada que marcasse o fim, nada que me fizesse acreditar que o abismo não é infinito, que um dia eu cairia em algum lugar e de lá pudesse finalmente me reerguer, mas eu continuo caindo, caindo, caindo no escuro, no desconhecido, no passado, um poço de ilusões perdidas, de sonhos desfeitos, de amores imperfeitos, um pouco de tudo, um pouco da gente que nunca desapareceu completamente, um pouco daqueles cinco dias dentro e fora de ti, um pouco da nossa alma que chegou tão perto, que se conheceu tanto e no fim, tão pouco, daquele inverno, daquela agonia de que uma hora eu iria embora de novo, e que você de alguma forma também iria embora de mim, e a gente iria embora e se perderia, e o tempo nos roubaria o resto do que ainda conseguimos ser, e que não era só mais uma vez, era a última, nosso último beijo, nosso último até logo, o último olhar que nunca haveria porque você foi embora e deu as costas antes de o ônibus partir sabe lá Deus o porquê, se medo de me perder de novo, se era teu adeus mais sincero, se quem sabe, não visse, talvez esquecesse, ou nunca sentisse, mas eu chorei, de alegria, de dor, de amor, de verdade, um choro que dói até hoje, choro de foi tudo perfeito, mas acabou, assim, de repente, num descuido, numa bobagem, a gente se foi, a gente se perdeu, não éramos mais nós, não merecíamos tudo aquilo, não suportamos mais, foi difícil sempre, algum dia desistiríamos, e desistimos. eu só não sei do que.

10 de maio de 2011

Sobre o espelho

Há três horas ouvindo a mesma canção. E, de alguma forma, tentando enjoar, cansar do mesmo. Ainda não aconteceu. Mas sabe o que alivia nessas horas? Já ter feito o que podia. Ter se deixado preencher, esvaziar. Ter deixado a alma transparecer, mesmo que uma vez, mesmo que por tão poucos minutos. Aparece aquela sensação de alívio. Sabe quando você sente muita sede e consegue depois de muito esforço um copo de água bem gelado? Mais ou menos assim. Alívio por ter tentado. Durante cada segundo de cada dia ter pensado em ti, ter fantasiado um futuro, um passado diferente. E até achar que existe a pessoa certa, mesmo que não seja só uma nesse universo. Mas ter acreditado sim que você, apesar de tantas discordâncias, era pra mim. Naquela manhã, naquele lugar. Eu já sabia. Eu sempre sei. Eu não preciso de tempo, preciso de um olhar. Essa é a vantagem - ou o a desgraça completa - de ser tão sensível à vida. O problema é que você não percebeu, e talvez eu nem seja pra você. É que o ser humano é egoísta mesmo e não aceita que o amor possa ser amor sem troca. Que não é o espelho que faz uma relação bonita ou duradoura, é quando ele quebra. São os reflexos em pedaços, que a gente vai juntando e tentando consertar de novo. Às vezes simplesmente não encaixa mais. Por menor que seja o fragmento faltando, era ele que nos refletia. E se perdemos isso, não há mais amor. Nem nós. Quem sabe um pouco de carinho, umas lembranças de como a gente era, das coisas bobas que hoje fazem parte da história que a gente, invariavelmente, escreveu. Real ou não, a gente sempre escreve. Ninguém quer que o era uma vez termine com e foram tristes para sempre. Se soubéssemos como acaba, de repente, nem começaríamos a escrever. Mas eu gosto de um drama, sei que você também. A vida fica mais grandiosa, os nossos vinte e poucos anos até parecem um século. São muitas lembranças de pouco tempo, mas são memórias que valem a pena. Um dia a gente disse que, se tivesse fim, teria sido muito bom do mesmo jeito. Pois acabou e eu ainda acho que poderia ter sido melhor. Mas eu cansei de juntar os pedaços do espelho e acho que me sinto confortável com meu reflexo sem o teu ao lado. De qualquer forma, se quiser aparecer de novo, estou por aí. Traz aquela parte que ficou faltando. Vai que a gente consegue refletir um futuro e dois sorrisos, juntos, de novo. No mesmo espelho, no mesmo lugar.

1 de maio de 2011

A manhã seguinte sempre chega

Aí ela acorda achando que fez tudo errado um dia e que não tem mais volta. Percebe que há culpa sim. Que errou e achou tudo normal. Se fosse normal não machucava. Entende que continua errando sempre igual e insistindo em amar só o que se perdeu. O velho amor pelas causas perdidas. E que valeria a pena ter sido mais amor e menos razão. Agora já não faz sentido. E acredita que por algum motivo ainda há algo por acontecer. Só não sabe se é o fechar das cortinas ou a música que a banda toca ao voltar ao palco. Ela não entende por que sempre perdoou erros e os seus foram sentenciados sem direito ao habeas corpus. Ela nem sabe direito o que fez e porquê. Ela só fez. Sempre acreditando que seria o melhor. Só não imaginava que não seria mais nada. Depois de muito tempo sentiu a mesma coisa, por outro alguém. Uma outra pessoa, num outro lugar. Um mesmo final sem sentido, daqueles banais. Sem beijo de despedida, sem última noite ou último olhar. Chorou nem sabe pelo que. Pelo fim, pelo meio ou pelo que nem aconteceu? E deseja, mais do que nunca. Ela ainda não escolheu uma música, nada especial. Só algumas canções com refrões clichês e um pouco de melancolia. Escreve pra esquecer mesmo. Pra esvaziar o sentido. Do discurso, do significado, do que chamam amor. Esvaziar tudo o que foi guardando de ti, como se fossem pecinhas de quebra-cabeças. Ela só não entendia que era preciso paciência e mais amor pra formar algo que fizesse sentido. Era só mais uma menina que não se entende e nem entende a vida. Só mais um ser humano procurando sentido em histórias que não têm lógica nem razão. Só acontecem. Só duas pessoas. Sós. Sozinha.

22 de abril de 2011

Sobre esquecer


"Ninguém escreve porque tem alguma coisa a dizer, mas sim porque tem alguma coisa a apagar."


12 de abril de 2011

Vida louca, vida...

Desculpa. Mil desculpas por ter te encontrado um dia. Por ter achado que tu serias só mais um. Desculpa por ter gostado de você cedo demais e ter dito eu te amo quando deveria ter dito adeus. Ou desculpas por ter sido tarde demais. Por ter entrado na tua vida sem pedir licença ou um pouco de amor. Eu achei que era bonito, mas era só triste mesmo. Desculpa por não ter parado, por não ter desistido quando tu disseste a verdade. Por saber que o fim seria inevitável. Que por mais que conseguíssemos durar, o fim acabaria com tudo o que fomos, e mesmo assim, ter acreditado na gente. Desculpa por imaginar que o tempo consertaria tudo e que a distância nos aproximaria o mesmo tanto de saudade que a gente sentia. Desculpa por não ter tido tempo pra ti ou por roubá-lo de você tantas madrugadas. Por te fazer acreditar que era eu. E só eu. Desculpa por ter crescido e me tornado um pouco você. Por ter deixado algo pra trás, por ter escolhido um outro caminho. Desculpas por achar que um dia te esqueceria e por ter feito você acreditar nisso. E desculpa por ainda não ter conseguido. Você ainda faz parte dos meus sonhos mais bonitos, mais sinceros. Eu não sei se devo pedir desculpas por isso também. Mas lá vai: desculpa por te amar demais. Desculpa por sentir muito e pelas reticências que eu nunca consegui transformar em ponto final.

http://youtu.be/i4EIMk5WcHg

4 de abril de 2011

Infinita Highway

Das coisas que aprendi nos meus poucos 21 anos de existência, uma foi a necessidade que o ser humano possui de ter alguém pra quem voltar e alguém por quem esperar. É como respirar embaixo d'água: sem tubo de oxigênio a vida acaba. Sem alguém que te faça respirar mais forte também. Simples assim. Quando era criança, corria pra cama do pai e da mãe. Deitava atravessada, no meio dos dois, e meu mundo estava finalmente seguro. Só que a gente cresce, e quer outra pessoa nos esperando. Geralmente com o peito coberto de saudade, a boca sedenta por amor, os olhos doces de alguém por quem valeu a pena estar longe e voltar mais uma vez. E dói quando a gente espera, volta e não encontra ninguém lá. Se foi. Aí a gente só encontra vazio, uns lençóis arrumados, tudo em seu lugar. Mas é da bagunça que a gente gosta, do caos, da cama desarrumada, do cobertor no chão, da gente em Marte, em qualquer lugar. Eu sinto falta sim de quando a gente não sabia o que era - e realmente nunca foi nada que se encontre no dicionário -, mas a gente sabia exatamente o que queríamos com aquilo . E nos queríamos. Bastava. Não bastou mais. Entre farpas e mal entendidos, acabamos. Com o que nunca houve. Terminamos o que nem tinha nome, e do que de alguma maneira eu sinto saudade. Mea culpa. Das coisas que aprendi nos poucos dias que estive contigo, uma delas foi que não existem escolhas certas ou erradas, existem consequências. Algumas delas insuportáveis.

"Aí você começa a desconfiar que ele poderia ter sido o cara legal da sua vida.
Isso, se você sentisse a mesma paixão, se você conseguisse entregar sua alma tanto quanto,
se você soubesse amar ele do mesmo jeito e intensidade que ama a falta que agora ele te faz."

14 de março de 2011

outra vez o amor

Nunca fui boa com inícios e fins. Nunca. Eu preciso de um letreiro enorme e neon dizendo que alguma coisa começou e que um dia acaba. Sempre acaba. Há anos não sonho com príncipe encantado, mas a ideia de alguém que goste de estar com você acho que não é tão utópica assim. Estar e permanecer. Sem que haja um peso maior pendendo para um lado ou para o outro. Ninguém gosta de ser uma âncora na vida de outra pessoa. Umas nascem com essa vocação, mas nem sabem. O fato é: por que acabou? A maioria simplesmente aceita e pega outro barco, flutua em outra direção. Segue o Norte, ou qualquer outro ponto cardeal, tanto faz. Mas segue algum rumo diferente. Eu sempre fico navegando em cima de porquês e mergulhando cada vez mais fundo à procura de um tesouro perdido que traga as respostas à tona. Submersa em meus devaneios o oxigênio vai acabando e sou obrigada a emergir e respirar o ar novamente. Eu juro que gostaria de ser esse tipo de gente que não liga para respostas, que não necessita de verdades pra continuar. Eu sempre precisei da realidade bem diante de mim. Sem máscaras, nem efeitos especiais, sem sorrisos de plástico ou clichês. Eu quero a vida plena e verdadeira. Quero gente real ao meu lado, gente que fala o que quer e o que pensa e não tem medo do que vai ouvir. Algumas coisas são tão simples e o ser humano complica tanto tanto... Não sou a mulher mais bem resolvida do mundo, mas tenho uma fórmula simples de enxergar os fatos. E isso assusta. Assusta a mim também, mas é assim que eu aprendi a viver depois da maior queda e do final mais triste do qual eu jamais vou esquecer. Se o passado serve pra algo é pra isso: pra errar, mas errar diferente. A gente sempre sabe o que faz. Só não tem coragem - ou seria covardia demais - pra encarar o resultado. Partindo do zero absoluto novamente, que é pra onde a gente sempre volta, de onde a gente nunca deveria ter saído.

11 de fevereiro de 2011

Amanhã ou depois

Com o teu silêncio eu aprendi que distância não dói, briga não dói, adeus não dói. O que realmente machuca é o vazio da tua presença, é esquecer a tua voz a cada madrugada que não durmo. Os dias foram passando e eu já não lembro mais como era doce o teu jeito de me chamar de "molóide". Ou quando a gente brincava de brigar. E como a gente sempre tinha o que conversar - o tempo todo. Era tua falta de jeito, tua falta de tudo. Eu amava como você sabia todas as respostas, mas não sabia que o teflon não deixava o ovo queimar. Era o não saber que sempre nos feriu. Eu tentei te odiar, acho que um dia até consegui. Mas eu ainda estou aqui. O teu descaso e indiferença finalmente surtiram o efeito desejado. Eu desisto de tentar. É o meu silêncio o maior presente que eu posso te dar agora, assim como um dia tu me deste. Nossa história nunca teve fim, só silêncio. Assim a gente não se machuca mais, não se tem mais. E se nossas almas nunca mais se encontrarem, talvez nossas mentes nos esqueçam da forma como ainda lembramos um do outro. O que eu mais quero agora é que nossas lembranças esmaeçam com o tempo e o som do que a gente foi um dia fique tão baixinho que não possamos mais nos ouvir. A distância não bastou, o ódio, tampouco o adeus. O que vai finalmente nos libertar é o silêncio. O meu e o teu. Como uma canção que continua tocando, baixinha, sem que a gente perceba que ainda existe. Seremos música sem som. Silêncio.

25 de janeiro de 2011

tenha dó


Uns 19 meses sem te ver e é impressionante como ainda parece que foi ontem nosso beijo de despedida. O último abraço, o último se cuida, a última vez que fomos nós. Onde o eu te amo ficou e deu lugar ao nunca mais. Eu continuo escrevendo sobre você, porque é em você que penso todas as noites antes de dormir. É contigo que ainda sonho e acordo aflita, tentando imaginar como seria se. Como seria se tivéssemos feito tudo diferente. A minha vida talvez não estivesse tão encaminhada, mas esse peso que carrego comigo não existiria. Eu nunca fui muito fã desses "what if", mas como não te tenho no meu presente é o melhor que posso fazer. Eu sempre acho que vou te esquecer ou que deixei de ser parte da nossa história, mas vem uma música e me joga na cara a verdade crua. Eu amei uma vez na vida. E amor não acaba, só muda de lugar. Ainda lembro da tua sala, sem nada. Uma cadeira, um computador e um vazio imenso. Era o eco do que seríamos dias depois. Da tua janela eu via uma cidade cheia de prédios e vidas num caos profundo. Hoje, sou eu aqui embaixo. A cozinha apertada, o espaço perfeito pra vivermos pra sempre. Ficou tudo grande demais, complicado demais, sério demais. Teu apartamento não tinha mais espaço pra duas vidas com tantos sonhos e medos. Foi assim que eu parti pra sempre. Mas ainda lembro pra onde voltar...


"Quase perfeito nosso amor, não fosse o final..."