1 de maio de 2011

A manhã seguinte sempre chega

Aí ela acorda achando que fez tudo errado um dia e que não tem mais volta. Percebe que há culpa sim. Que errou e achou tudo normal. Se fosse normal não machucava. Entende que continua errando sempre igual e insistindo em amar só o que se perdeu. O velho amor pelas causas perdidas. E que valeria a pena ter sido mais amor e menos razão. Agora já não faz sentido. E acredita que por algum motivo ainda há algo por acontecer. Só não sabe se é o fechar das cortinas ou a música que a banda toca ao voltar ao palco. Ela não entende por que sempre perdoou erros e os seus foram sentenciados sem direito ao habeas corpus. Ela nem sabe direito o que fez e porquê. Ela só fez. Sempre acreditando que seria o melhor. Só não imaginava que não seria mais nada. Depois de muito tempo sentiu a mesma coisa, por outro alguém. Uma outra pessoa, num outro lugar. Um mesmo final sem sentido, daqueles banais. Sem beijo de despedida, sem última noite ou último olhar. Chorou nem sabe pelo que. Pelo fim, pelo meio ou pelo que nem aconteceu? E deseja, mais do que nunca. Ela ainda não escolheu uma música, nada especial. Só algumas canções com refrões clichês e um pouco de melancolia. Escreve pra esquecer mesmo. Pra esvaziar o sentido. Do discurso, do significado, do que chamam amor. Esvaziar tudo o que foi guardando de ti, como se fossem pecinhas de quebra-cabeças. Ela só não entendia que era preciso paciência e mais amor pra formar algo que fizesse sentido. Era só mais uma menina que não se entende e nem entende a vida. Só mais um ser humano procurando sentido em histórias que não têm lógica nem razão. Só acontecem. Só duas pessoas. Sós. Sozinha.

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