12 de junho de 2011

Adeus

eu sei que disse que iria sumir da tua vida, mas menti. na verdade eu acho que venho aqui pela última vez.e você tem todo o direito de ignorar. egoísmo ou não, eu preciso. só voltei pra dizer que ficaram as boas lembranças, mas eu preciso seguir, continuar. eu sempre amei mais, normal que demorasse mais pra te deixar partir de verdade. e acho que tenho todo o direito de te falar isso. tu nunca foi perfeito, mas era do jeito que eu queria e precisava. não vou mentir, eu ainda te procuro nos outros, embora não queira te encontrar. aprendi muito contigo, mudei muito por você, e por mim também. todas as vezes que voltei foi impossível não sentir aquela tristeza do nunca mais. é difícil atravessar a borges de medeiros e não lembrar da gente ou sentir um frio na barriga. mas acho que é hora de me desligar de ti, de sumir também. sempre acho que chegou a hora de onde eu começo uma nova vida num presente bonito, sem as más lembranças do passado. mas acaba voltando tudo. sei lá o porquê. tu conseguiste e eu não. dá uma certa inveja até. espero que estejas feliz, ou bem próximo disso. o que eu sinto é que amor verdadeiro como o que eu senti por ti eu não vou mais encontrar.. naquele tempo eu era inocente, e tinha uma pureza que eu perdi. talvez tenha sido tão bonito por isso. também não sei dizer se o que aconteceu foi especial ou não. se um dia a gente foi diferente desse monte de relacionamento que começa e acaba com tanto vazio que as pessoas costumam usar pra preencher aquele baita buraco na alma. espero que esse seja finalmente um adeus. com quase 22 anos eu não consigo mais sonhar com alguém que vá me fazer feliz. não que esse cara fosse você, mas era o que eu pensava. eu sonhava. aí a gente acabou. enfim. desculpe por voltar mais uma vez aqui, mas eu ainda ando pelas mesmas ruas, a cidade cresce e tudo fica cada vez menor... te cuida. dessa vez é adeus mesmo. chega uma hora que a gente cresce de verdade e tem de esquecer o passado. mesmo que continue doendo.

7 de junho de 2011

último suspiro

Quase dois anos e não vejo nenhum sinal, estrela, lembrança, indo embora, deixando a gente em paz, uma lápide, algo que diga que finalmente não somos mais nada, nem história, nem memórias, nem tragédia nem nada, e que foi tudo um erro, belo, mas um erro, uma falha no destino, um atalho errado, um acidente, um acidente que deixou gente demais ferida, um acidente que matou, que acabou com tudo, tudo, tudo e nem adeus, nem até logo, nada que marcasse o fim, nada que me fizesse acreditar que o abismo não é infinito, que um dia eu cairia em algum lugar e de lá pudesse finalmente me reerguer, mas eu continuo caindo, caindo, caindo no escuro, no desconhecido, no passado, um poço de ilusões perdidas, de sonhos desfeitos, de amores imperfeitos, um pouco de tudo, um pouco da gente que nunca desapareceu completamente, um pouco daqueles cinco dias dentro e fora de ti, um pouco da nossa alma que chegou tão perto, que se conheceu tanto e no fim, tão pouco, daquele inverno, daquela agonia de que uma hora eu iria embora de novo, e que você de alguma forma também iria embora de mim, e a gente iria embora e se perderia, e o tempo nos roubaria o resto do que ainda conseguimos ser, e que não era só mais uma vez, era a última, nosso último beijo, nosso último até logo, o último olhar que nunca haveria porque você foi embora e deu as costas antes de o ônibus partir sabe lá Deus o porquê, se medo de me perder de novo, se era teu adeus mais sincero, se quem sabe, não visse, talvez esquecesse, ou nunca sentisse, mas eu chorei, de alegria, de dor, de amor, de verdade, um choro que dói até hoje, choro de foi tudo perfeito, mas acabou, assim, de repente, num descuido, numa bobagem, a gente se foi, a gente se perdeu, não éramos mais nós, não merecíamos tudo aquilo, não suportamos mais, foi difícil sempre, algum dia desistiríamos, e desistimos. eu só não sei do que.