7 de junho de 2011

último suspiro

Quase dois anos e não vejo nenhum sinal, estrela, lembrança, indo embora, deixando a gente em paz, uma lápide, algo que diga que finalmente não somos mais nada, nem história, nem memórias, nem tragédia nem nada, e que foi tudo um erro, belo, mas um erro, uma falha no destino, um atalho errado, um acidente, um acidente que deixou gente demais ferida, um acidente que matou, que acabou com tudo, tudo, tudo e nem adeus, nem até logo, nada que marcasse o fim, nada que me fizesse acreditar que o abismo não é infinito, que um dia eu cairia em algum lugar e de lá pudesse finalmente me reerguer, mas eu continuo caindo, caindo, caindo no escuro, no desconhecido, no passado, um poço de ilusões perdidas, de sonhos desfeitos, de amores imperfeitos, um pouco de tudo, um pouco da gente que nunca desapareceu completamente, um pouco daqueles cinco dias dentro e fora de ti, um pouco da nossa alma que chegou tão perto, que se conheceu tanto e no fim, tão pouco, daquele inverno, daquela agonia de que uma hora eu iria embora de novo, e que você de alguma forma também iria embora de mim, e a gente iria embora e se perderia, e o tempo nos roubaria o resto do que ainda conseguimos ser, e que não era só mais uma vez, era a última, nosso último beijo, nosso último até logo, o último olhar que nunca haveria porque você foi embora e deu as costas antes de o ônibus partir sabe lá Deus o porquê, se medo de me perder de novo, se era teu adeus mais sincero, se quem sabe, não visse, talvez esquecesse, ou nunca sentisse, mas eu chorei, de alegria, de dor, de amor, de verdade, um choro que dói até hoje, choro de foi tudo perfeito, mas acabou, assim, de repente, num descuido, numa bobagem, a gente se foi, a gente se perdeu, não éramos mais nós, não merecíamos tudo aquilo, não suportamos mais, foi difícil sempre, algum dia desistiríamos, e desistimos. eu só não sei do que.

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