22 de julho de 2011

Mariana


Vai passar, vai passar. Foi assim que Mariana passou a vida inteira enfrentando seus pesadelos e seus demônios. Eles passaram, mas o tempo também. Ela respirava fundo, contava até algum número com dezenas de casas decimais, e continuava andando por aí. Nunca teve rumo, acreditava nas pessoas e na vida. Levava o amor dentro da alma como o homem leva a traição no pinto. Nada mais natural. Cresceu lendo Clarice, sentia arrepios com aqueles contos do Caio, releu Pergunte ao Pó o mesmo número de vezes que chorou com Arturo Bandini e aquela garçonete mexicana. Sua maldição era amar. Nem demais, nem de menos. Amar já era uma cruz muito grande pra uma menina de 15 anos carregar. Brigou com a vida algumas vezes, mas depois fez as pazes. Teve o coração partido apenas uma vez, as outras foram só alguns litros de lágrimas e um pouco de ceticismo a mais em sua vida. Nada que não pudesse ser consertado. Tornou-se mulher, conheceu o prazer, gozou, gemeu, gritou. Gritou por ajuda, por amor verdadeiro, pelo passado. Descobriu que os melhores dias de sua vida sempre estiveram no horizonte esperando para ser vividos. E que o passado sempre será mais belo nas lembranças que verdadeiramente foi quando real. Que o ser humano mente. Homem, mulher, gays, lésbicas, simpatizantes. Não importa: o ser humano mente pra sobreviver. Mente por amar demais, mente por não amar, mente por odiar, mente porque gosta e se alimenta de mentiras. Foi aí que percebeu que grande parte da sua vida fora um conto de fadas, meio triste, meio sem roteiro, mas foi. E que a realidade dói. Conheceu caras, deu pra desconhecidos, despiu-se de seus pudores e fez o que jamais imaginara quando menina. Tornou-se mulher. Cheia de exageros, extremismos, histerias, sensibilidades, cheia de amor e sonhos. Mariana só tem 22 e parece que já viveu bem mais que isso. Mariana continua respirando, caminhando pelas areais de praias desertas no inverno, ouvindo que vai passar. A vida vai passando e o tempo de Mariana também. Mariana é só mais uma dessas bilhões de mulheres que procuram uma metade, quando deveriam procurar o amor inteiro. Um dia Mariana vai ser completa. Um dia Mariana também passará.

18 de julho de 2011

quase amor


sabe, não pensei que voltaria aqui em tão pouco tempo e por outro alguém. no último mês todo o meu ceticismo e teorias sobre amor e tempo foram pelo ralo. cada dia que passa só me deixa mais convencida que falar de amor é perda de tempo. ou ao menos tentar entender como acontece e por que acaba. você já não consegue passar um dia sem pensar, sem sentir muito, a falta. por uma banalidade ele passa a fazer parte das suas madrugadas e sonhos, e você sabe que vai ficar. deveria apenas passar, deixar umas lembranças boas, uma saudade boba, um até mais sem pretensão alguma. mas conseguiu o que poucos conseguiram: tornar-se motivo pra que eu escreva. pra que eu volte nesse emaranhado de lamentações, pra que eu olhe novamente no baú de más lembranças e chegue à conclusão de que vou errar sempre que acontecer de novo. que eu vou cair no mesmo papo, vou sonhar os mesmos sonhos, vou esperar alguém que não vem. os personagens mudam, os signos nem tanto. o sinal de que tinha tudo acabado foi a falta de um adeus, a ausência da despedida. mas eu sou tão teimosa que achei que dessa vez iria ser diferente. acontece que a gente não decide isso, e que quando a história começa com um jogo, alguém sai perdendo. e de novo e de novo e de novo, fui eu. parabéns pela medalha de ouro, eu me contento com a chance de ter jogado contigo....