5 de agosto de 2011

além de mim

Cheguei a um ponto da minha vida de onde não sei mais sair. Parei. Estagnada. Um às de espadas fora do baralho. Não sei se ainda tenho sonhos, ou força pra realizá-los. Perdi a fé e a esperança no ser humano. Perdi o amor pelo caminho. Perdi o amor. Todo. Há alguma coisa lá fora que eu não consigo enxergar, há milhões de coisas aqui dentro que ninguém vê. E não é só sobre amor. É sobre ser você, sobre acordar e não saber o que quer ou como vai ser. É sobre se perder. Eu continuo aí, pelo caminho, meio cambaleando, meio desconfiada, tateando o escuro como se minha visão já não servisse pra nada. Eu desperdicei amor por tantos lugares, joguei por aí meus sentimentos mais puros, perdi alguns pedaços do que me fazia, veja você, singular. Fui me despedaçando a cada vez que me despi do amor-próprio, por você. E quem é você? Eu me deixei num canto ofuscado pra ver a gente brilhar. Mas só fui apagando, queimando tudo, tornando tudo o que toquei cinzas. E não me venha com essa história de que a fênix vai surgir de repente e voar bela e majestosa pra todo mundo continuar acreditando. O ar tá pesado, tá acabando. E a vida aí, todinha pela frente. O vento soprando, a tempestade que não para, frio, frio, frio. Você em algum lugar, longe, longe, aqui. Eu longe do que desejei ser. Minha paz parece aquele horizonte que nunca chega, o sol se pondo todo fim de tarde pra me lembrar que é pouco mesmo. Que o tempo é assim, passado. Eu fui egoísta ao dar tanto amor às pessoas erradas. Mas existe errar no amor? Realmente há um código que pune quem ama demais o que ou quem não deveria? E que marca na alma da gente que foi tanto amor um dia e hoje não há mais nada? Só umas imagens meio bonitas, uma dorzinha que nunca passa, uma saudade crônica, uma vontade de algo que a gente sabe que não existe. E esse túnel que todo mundo tem de passar, tem fim mesmo? Um dia a gente caminha, caminha, caminha e encontra aquela paz, aquela luz, o pote no fim do arco-íris? E descobre que a vida é bela, que sempre foi uma daquelas pinturas abstratas, cheia de pontos, que parecem não ter sentido. Aí você olha mais uma vez, e os pontos se conectam e formam uma história. Uma história que a gente constrói usando total liberdade. A gente vai usando os tons, os pincéis e o estilo que melhor nos convém. Não é assim? Nem sempre vai ser uma imagem digna de aplausos, mas é o que a gente conseguiu fazer. Um esboço, um rascunho, um desastre? E isso é pintar uma vida. E que o medo de que estejamos pintando sempre em preto e branco nos consome a cada madrugada em que uma lágrima sincera ainda cai. Mas vai que um dia alguém pincela com tons de amor. A gente canta assim, escreve uns poemas bonitos, acredita no feliz pra sempre, acredita que ainda pode ser. A gente sempre espera que em algum lugar por aí exista uma alma capaz de tornar nossa tela uma obra de arte, alguém que arrisque um acorde em dó maior.

Um comentário:

  1. vc escreve muito parabénsnn ;;;; me adiciona no msn Paulinho_evang@hotmail.com

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