19 de setembro de 2011

vácuo

Dizem por aí que insanidade é quando o ser humano repete os mesmos atos sempre esperando consequências diferentes. Se pensar assim, acho que mais da metade da humanidade deveria estar internada em um manicômio. Se é que o mundo já não se tornou um grande conglomerado de insanos. Gente que não dorme, gente que para de comer, gente inconsequente, gente que bate, que bebe demais, gente que fuma. Todos achando que, talvez um dia, quem sabe, alguém encontre uma cura. Que vícios são parte da gente, e até direito. Sempre procurando uma desculpa pra culpar a vida, pesquisando álibis para livrarmos nossos nomes do banco dos réus. Repetindo erros, e por que não, acertos, e imaginando que vai ser diferente. Que as constelações vão intervir, que somos todos especiais e que sempre tem alguém por nós, em algum lugar. E acontece a mesma coisa. Aí deram o nome de frustração. Depois disso vem um pouco de mágoa, um pouco de fúria, uns gritos desesperados e depois silêncio. Todos loucos no mais completo vácuo. E no vácuo ninguém se ouve, não há nada além de silêncio e vazio. Onde não tem ar, não tem conversa, não tem te amo, não tem adeus. No silêncio que vai machucando e matando o resto de ar que ainda existe, exterminando qualquer melodia que alguém queira compor. Silêncio é vazio. E ninguém vive por muito tempo sem nada.

8 de setembro de 2011

"Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe… Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto, talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que um silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo…"