25 de dezembro de 2011

Dias melhores pra sempre

Véspera de Natal e um filme passa pela minha cabeça. É o meu 22º Natal e tanta coisa mudou... Fui crescendo, perdendo a vontade de montar a árvore, de pôr a estrela no topo, de presentes, de me vestir de vermelho e branco religiosamente. De uns anos pra cá uso o dia 24 pra pensar no resto do ano, diferente da maioria das pessoas que deixa isso pro último. E hoje, a única coisa que consigo pensar é nas pessoas que partiram. Seja pra onde for, mesmo que continuem perto de mim, não fazem mais parte da minha vida. Não dividem mais sorrisos, nem abraços nem choros de tristeza. Pessoas sem as quais eu achava que não viveria, e que hoje vivem perfeitamente sem mim. Algumas por terem me esquecido, outras por não fazer mais sentido estarem ao meu lado. Há ainda aquelas que não sabem por que partiram se havia milhões de motivos pra permanecer. Aquelas que estão por aí, em algum lugar desse mundo, talvez pensando sobre o mesmo. Outras não estão pensando em nada. Sinto falta de muita gente na minha vida, pessoas que eram importantes sim, mesmo que não soubessem disso. Mas o tempo passa, as pessoas passam, a vida passa. A gente passa o tempo todo e tem de deixar partir. Não podemos ser âncora de ninguém, temos de ser um porto. E quando não formos mais seguros, devemos sim, com toda a felicidade e paz do mundo deixar que o barco continue a navegar em outra direção, que encontre seu Norte por aí. E é isso que desejo esse ano: que as pessoas se percam, que se encontrem, que vão embora, e se acharem que for o melhor, voltem. Eu quero sentir aquele amor verdadeiro que só admite felicidade. Porque o verdadeiro amor não é quando se está junto, é quando mesmo separados, o maior e único desejo é de que o outro esteja bem. Em paz, feliz. Não importa onde, nem com quem. Amar de verdade é saber que nem sempre se é a melhor companhia pra alguém. Então, que partam. Que naveguem por outros oceanos, porque um dia a gente vai se encontrar, mesmo que eu não saiba quem é você. Todo barco precisa de um porto. Feliz Natal.

13 de dezembro de 2011

Noite

Eu sempre soube que acabaria em nada. Velhas fotos em preto e branco repetidas. Afinal, a natureza segue seu ciclo, por que com o amor seria diferente? A gente nasce e a gente morre. Normal que aconteça isso também com o que as pessoas sentem. Mas às vezes nem chega a se desenvolver, não passa de uma história sem roteiro, uns rascunhos deixados de lado pra escrever algo mais interessante. A gente muda o script sem avisar ninguém que acabou. E até tenta umas cenas mais ousadas, uns atores novos, um drama originalmente grego. E fica por isso mesmo. Porque a verdade é que não há comunicação completa. Não há olhar, não há música, não há palavra que consiga transmitir o que se passa dentro de um ser humano. Se não fosse isso, talvez guerras mundiais fossem evitadas. E finais infelizes também. Má comunicação misturada à parte mais frágil e escura do ser humano resulta em merda. Nada menos que muita merda, vinganças inúteis e partidas. E quem sentia amor, sente raiva. Mais um coração partido. Mais alguns pedaços de passado pra guardar na estante. Junto com os outros prêmios de primeiro lugar no quesito inocência. O mundo é podre. É a eterna batalha da luz e da escuridão. E já tá escuro por aqui há algum tempo. Boa noite.