27 de maio de 2012

A manhã seguinte sempre chega

Por que eu tenho pavor de ficar no mesmo lugar? Talvez porque inércia atrofie o pensamento. É que mesmo parados, nós rodamos em volta de nosso próprio eixo, uma loucura eterna em 360º, sempre voltando ao mesmo lugar. E enquanto isso, o tempo vai passando e não passamos de filósofos do passado. Te desafio a falar sobre o futuro, esse sim, que dá medo, o amanhã que, sem exceção, todos temem. E não me venha com essa conversa de "viver intensamente sem pensar no amanhã" porque se isso fosse possível você estaria saltando de um avião agora, e sem pára-quedas. Pare e pense no que vai ser o teu amanhã que as dúvidas quanto ao dia seguinte existir começam a pairar sobre todos os teus sonhos e planos. Eu viajo o tempo todo tentando traçar rotas diferentes,  respirar ares de gente que não faz a mínima ideia de quem sou ou por que estou ali. E admito: é cômodo estar entre pessoas que não sabem de onde venho, por que motivo ou mesmo pra onde retornarei. A gente se sente livre pra ser. Ser qualquer pessoa, porque ninguém ali sabe realmente quem é você. E eu adoro esse meu coração turista. Sempre viajando de um lado ao outro, de Norte a Sul, do palpável ao desconhecido. E assim eu sigo, escrevendo minhas páginas por onde passo, deixando um pouco de mim em cada hotel, em cada pedaço de chão que passei. Talvez eu seja daquelas que querem deixar um pedacinho em cada lugar do mundo, um motivo pra que depois de partir desse plano, alguém ainda possa sorrir ao lembrar da nossa história. Acordei com vontade de sair daqui, de novo. Mas eu sei que, no final, a vontade de voltar é sempre maior. Passou, passou, passado. Eu quero saber do que vem pela frente, do próximo destino e da hora em que o bonde chamado desejo vai passar de novo por aqui. Talvez não passe de ilusão.

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