24 de março de 2013

Goodbye my lover

Pela primeira vez não sei o que sentir ao escrever. Se é raiva, amor, decepção, perda... Se tudo junto. É difícil dizer adeus ao que nem bem começou, ao que ainda não se descobriu o que é. E já foi. Assim, de repente, é passado.

Ninguém nunca aprende a decifrar completamente a própria alma, quem dirá a alheia. É um jogo de quebra-cabeça em que sempre faltam peças, é impossível enxergar o que realmente representa. A gente só imagina o que é aquilo ali. E de repente, vem alguém e bagunça tudo, todo o tempo que a gente perdeu juntando as pecinhas, separando uma por uma antes de começar a tentar encaixá-las. E parece impossível começar de novo, porque agora você já sabe que tem peças faltando, que nunca vai poder enxergar tudo pelo que vocês perderam tempo construindo. E quem nessa vida quer investir tempo em um projeto que não vai ter sucesso? Em um futuro sem sentido. Em molduras vazias.

É hora de crescer e guardar as peças dentro da caixa e depois deixar por ali. Se um dia alguém quiser abrir e começar tudo de novo, com paciência, compreensão e certeza de que não é o resultado final que faz desse jogo algo tão legal. Porque depois de montado ele fica ali, estático, sem graça, esquecido. O melhor de tudo foi o tempo investido no que ambos acreditavam ser o caminho certo, um jeito de aproveitar a vida enquanto desse, e nada mais que isso. E acabou o tempo.


22 de março de 2013

Obrigada, cara.

Ouvir "eu te amo" tão cedo pela primeira vez teve suas vantagens. Principalmente por não passar de uma grande e bela mentira. Qualquer menina de 15 anos deitaria a cabeça no travesseiro e pensaria com a convicção de quem já desvendou todos os mistérios da vida: encontrei meu príncipe encantado. Pena, mal sabia que era o sapo. Ter lidado com um ser humano, que hoje eu consigo enxergar que era podre por dentro, quase sem alma, tão egocêntrico que se atrapalhava pra dizer a simples frase de três palavras, porque pra ele era realmente difícil amar alguém além dele mesmo. Tão possessivo que imagino ter uma coleção valiosa em casa. Na parede, pedaços de corações inocentes pregados. Na estante, potes e mais potes de lágrimas sinceras.
A parte boa - sim, porque realmente existe - de ter lidado com um ser desses quando recém descobri o amor foi ter cacife pra lidar com qualquer um. Enfrentar o chefão antes de passar as fases mais fáceis pode não ser a ordem (crono)lógica da vida, mas foi pra mim a melhor forma de me tornar mulher. Eu bato no peito pra dizer: vem. É só mais um. Eu derrotei o chefão, salvei a princesa - nesse caso, algo como um autossalvamento na falta do super-herói que ainda não veio. É claro que um escudo não protege de umas tempestades mais fortes, mas é o que tenho e o que eu uso pra passar por elas no menor tempo possível. A gente vai crescendo e percebe que a pergunta "o que foi que eu fiz dessa vez" às vezes vem com uma resposta simples no rodapé: nada.
Já passou o tempo em que eu achava que o problema era sempre comigo. Acho que o maior de todos é exatamente eu não ter medo de quem chegue. Eu não tenho mais medo de amar um idiota. Eu não tenho medo de amar. Se for pra me atirar do abismo, depois de muitos anos entre o "to be or not to be" eu decidi sempre dizer sim. Porque eu tenho a certeza e a força de que na hora que precisar ser forte, eu vou ser. E que se for pra acabar, eu vou deixar partir. E isso assusta.
Então, meus sinceros agradecimentos ao primeiro e maior idiota da minha vida. Obrigada, cara. Você me ensinou que nada, nada nem ninguém serão piores que você. Boa sorte com sua coleção de horrores. E que tu encontres uma guria que te ensine a ser homem de verdade. Até nunca mais.