9 de abril de 2013

Strani amore


O problema nunca foi nosso prazo de validade. Tudo nesse mundo formado por átomos tem um fim e nem por isso morre por inanição no meio do caminho. O veneno de qualquer relação é sempre a mentira, ou a falta da verdade, como queira. O que tu costuma chamar de omissão eu chamo de silêncio, e sempre foi atestado de covardia calar pra evitar danos colaterais. Alguma coisa precisava ser dita, você me devia isso como o ser humano que eu pensava que você fosse. E você se foi. 

É uma pena ter gastado algumas folhas de papel tentando dizer o quanto tu foste importante pra mim nesses poucos meses que se passaram. O quanto o teu corpo me trazia paz e conforto. Eu abri mão de muitas coisas, embora você nem imagine, ou não se importe. Do tempo, de deixar outro entrar. E enquanto eu fazia planos sozinha, vi todos espalhados pelo chão do quarto desaparecendo a cada vez que tu trocavas a minha real presença pela companhia de quem nem estava ali. E não me venha falar que há um motivo maior pras escolhas que fazemos. Ou é amor ou não é. 

Não há culpa no mundo que sustente um relacionamento. Culpa que anule o teu presente e te condene a um erro passado levando quem não tem nada a ver com isso a cumprir tua sentença. A gente não conserta as coisas mantendo um erro vivo o tempo todo. Às vezes, acho que é demasiada tua autocomiseração. Sim, porque tamanha culpa que tu insistes em expor ao mundo pode não passar de você sentindo pena de si, tentando se transformar em vítima de um crime que você sabe que cometeu. E eu tenho experiência o suficiente pra dizer em alto e bom tom que tu nunca vais conseguir tirar isso de dentro de ti. É tua sentença.

Não há atitudes certas ou erradas, existem consequências. E o que fica é a tua capacidade de suportá-las ou não. Eu te dei meu coração mesmo sabendo que uma hora levarias ele pra algum continente bem longe daqui. Mas a distância não é algo que machuque mais que tua indiferença. Teu descartar tão fácil, o melhor dos mundos nas tuas mãos e você como uma criança sem saber se quer bala ou chiclete.

Mas essa tua dúvida não te dá o direito de pedir pra que eu fique e ir embora sem avisar. Eu cansei das tuas migalhas, da tua surdez. Cansei de gritar por aí o quanto eu te queria. Eu perdi a voz. Perdi a vontade de ti. Abandonei a causa e meu costume de não usar pontos finais. Eu não sou forte o suficiente pra te deixar ir pra sempre. Confesso. Mas aos poucos o tempo vai passando, o vento sopra, a maré vira e nossos barcos se vão em direções diferentes. Pra nunca mais se encontrarem, porque eu sei que teu porto sempre foi em outro lugar.

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