17 de abril de 2015

Bússola quebrada


Eu sempre tive um plano. Eu sempre soube aonde eu queria chegar, mesmo que ainda não fizesse ideia do caminho que precisaria percorrer até lá. Hoje eu não tenho mais nada. Aos 25 anos eu pareço ter entrado em um labirinto sem saída. Eu sinto como se andasse em círculos há tempo demais e cansei de continuar tentando. Eu não quero gastar todo o tempo da minha vida para voltar sempre ao mesmo lugar, eu não quero permanecer presa a este labirinto.

Um dia me disseram que ficaria cada vez mais fácil com o tempo, que a experiência traria soluções e paz a minha alma — mas é exatamente o oposto. Quanto mais eu remo por aí, mais a maré pulsa contra. São tantos pensamentos guardados no meu travesseiro que tenho medo que um dia ele exploda de dúvidas e receios e machuque quem não tem nada com isso. Também não me avisaram que pensar dói. Pensar machuca, atormenta e enlouquece. Quanto mais eu penso menos eu quero continuar pensando. Mas o vazio, o silêncio e o escuro são combustíveis altamente inflamáveis que, à espera de qualquer pensamento que seja, explodem.

E a humanidade? Sabe aqueles cachorros que correm atrás do rabo? Às vezes penso que a humanidade faz exatamente o mesmo. E quando para e pensa no porquê de agir da mesma maneira há milênios, adoece. E ao parar, começa a notar os seres humanos em volta, a maldade, a fome, a pobreza, o preconceito, a falta de empatia e a falta de amor. Nesses momentos, a fé vira ceticismo e todos os sonhos do mundo parecem esmaecer diante de tamanho caos. Não há uma lógica que explique. Por que tem de ser assim.

Eu não quero perder a fé na humanidade. Eu não quero acordar todos os dias e pensar que vou ouvir tantos discursos vazios de amor e transbordando de ódio e indiferença. Começo a pensar que todos aqueles que um dia julguei loucos são as pessoas mais felizes que encontrei na vida. Talvez haja três destinos bem delineados para todo mundo: ignorância, ceticismo e loucura. Do primeiro eu fugi há muito tempo e não há como voltar. Resta saber qual dos outros dois me aguarda.

Não há felicidade plena sem paz de espírito. Espero que um dia encontre.


Nenhum comentário:

Postar um comentário