16 de junho de 2015

Autumn leaves. Love stays.

Como uma daquelas folhas meio secas de outono você foi chegando. Caiu da árvore e veio suave, lentamente, sutilmente caiu bem pertinho de mim. No início foi aquela excitação que coisas novas provocam, borboletinhas no estômago e um sentimento de efemeridade. Achei que você era como o outono, aconchegante, bonito, mas que passaria e, de repente, seria inverno. Parecia aquela Lua que não é cheia nem minguante, que ninguém repara mas que continua lá. E que de repente passa, mas não deixa de ser Lua. Mas você foi ficando. As luas foram passando, as estações, os medos, o tempo, e algo continuou lá. Aquela sensação de ver a folha cair permaneceu. Latente. E foi então que eu percebi que você não era estação, você era permanente. E eu já não sei como explicar o que aquela voz provoca em mim, o quão profundo aqueles olhos me levam a sonhar, o tanto de alma e de amor que eu consigo enxergar lá no fundo daquela lagoa verde. E foi nessa lagoa que eu mergulhei. Até o fundo, sem colete salva-vidas, sem tubos de oxigênio. Eu mergulhei sem saber se consigo submergir depois. Eu me joguei do penhasco sem saber se vai doer. Se vai ter volta. Mas eu nunca senti tanta vontade de continuar caindo, afundando, mergulhando até encontrar um lugar onde a gente possa descansar, em paz. Onde não haja nada além de amor e serenidade.

"Mas há um encanto mais poderoso ainda
Nos olhos voltados para o chão
No momento de um beijo apaixonado
Quando brilha por entre as pálpebras baixas
A sombria, obscura chama do desejo."


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