31 de outubro de 2015

Montanha-russa

Entrou no primeiro vagão da montanha-russa sozinha. E esperava que a adrenalina fosse mais forte que o medo de cair de lá de cima. Por um tempo foi. Mas depois da primeira curva, do primeiro trecho de cabeça para baixo, foram apenas repetições sucessivas. Mais do mesmo. Um looping eterno. O coração ainda bate acelerado e a respiração até que fica ofegante, mas o incômodo físico é maior que a diversão. Mal sabia que depois que entra na montanha-russa não tem volta. Só dá para descer depois que parar. E infelizmente ela não tem opção a não ser esperar. Pensa toda vez que dá aquele frio na barriga: vai ser a última queda. Mas nunca é. Já não ouve os gritos desesperados, já não consegue mais aproveitar a volta no brinquedo. É como se toda diversão e toda a alegria fossem simplesmente anuladas porque nunca acaba. Sente náuseas, medo, frustração. É como se a vida estivesse passando depressa demais, conduzindo o vagão sempre para o mesmo nada. O eterno vazio de não saber quando vai parar, onde vai chegar e se vai ter alguém lá esperando. Provavelmente, vai descer cansada, enjoada e mais cética do que era quando aceitou entrar na montanha-russa sem saber quando seria a última volta. Mas vai logo comprar outro ticket e subir de novo. Porque ela ama o passado, o postergar a dor. Ama ficar de cabeça pra baixo e não saber quando vai parar novamente. Excesso de esperança e sonhos nunca fizeram mal a ninguém.

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